terça-feira, 23 de junho de 2009

"Além" - J. K. Huysmans




Joris Karl Huysmans (J.K. Huysmans) escritor e critico de arte (Francês, 1848-1907) viveu sempre na linha entre o bem e o mal e, a certo ponto, a sua obra literária começa a reflectir isso, sendo “Além” (“Là-Bas”) um bom exemplo disso.
“Além” é, acima de tudo, um ensaio sobre o bem e o mal, disfarçado de romance com dados históricos mais ou menos ficcionados (referências a, pelo menos, um ocultista francês da altura é facilmente reconhecível ao longo da obra, o abade Joseph Boullan serve de modelo a uma personagem que pratica magia para conter o satanismo*) que resultam bem na ilustração dos caminhos, por vezes tortuosos, que percorremos na escolha e reconhecimento da fé.
Em “Além”, Huysmans cria “Durtal”, um personagem que, tal como o autor, deambula nesta dúvida entre o bem e o mal retratada aqui, sinais dos tempos, pela vontade do personagem principal, escrever uma biografia de Giles de Rais, Marechal Francês, (1404-1440), sádico e pedófilo que viria a ser acusado de satanismo e condenado pela morte de, pelo menos, 200 jovens. Ao longo da investigação, Durtal conduz o leitor por conversas com vários personagens, desde homens de fé simples (pessoas que nada questionam) a pessoas ligadas ás missas negras em Paris, sendo-nos a dada altura presenteada uma descrição pormenorizada do ritual, pormenorizadas são, também, as descrições das acções de Gilles de Rais, não aconselháveis aos leitores facilmente impressionáveis.
“Além” é um bom ponto de partida para quem gosta de ler e se questionar sobre a fé.

* - http://pt.wikipedia.org/wiki/Joris-Karl_Huysmans

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Eyaculacion Post Mortem - "De Los Muertos e Sus Costumbres"

É díficil enquadrar estes catalães num género especifico de musica, encontram-se, talvez, num electro-industrial com influencias de Horror-Punk tanto do agrado da comunidade mais ligada ao Deathrock.
Os Eyaculacion Post Mortem (E.P.M.) (des)constroem musicas que tão depressa parecem bandas sonoras de um qualquer filme de terror, como criam algo tão simples como só próprio punk pode ser. Nascidos em Barcelona de um grupo conhecido como "La Oscura Ceretonia", os E.P.M têm já 4 álbuns editados sendo este "De Los Muertos e Sus Costumbres" o 2º, editado originalmente em 2003 e reeditado em 2005 (será sobre esta ultima edição que versa a critica).
Se esquecermos o facto, no mínimo desagradável, de ouvirmos um ou dois arrotos durante a segunda musica do álbum, podemos considerar que ouve uma evolução do primeiro trabalho, "La Oscura Hermandade".
O álbum começa com uma espécie de exercício "Spoken Word" de laivos teatrais seguida pela desagradável e já referida "Gusanos". Seguindo de uma forma ainda instável uma linha entre um electro-punk e umas pérolas electro-industriais, entre as quais merecem o destaque do escriba a "La Maquina de Matar Humanos" e a "Tu Vienes de negro y Nosotros Volvemos de Gris".
Esta edição sendo especial brinda o consumidor com um video da "Me Cago
em Mi Puta Vida" e um poster que pretende ser um quadro Ouija.

3.25/5
O Alinhamento :

1. La Muerte de Bastian
2. Gusanos
3. Ectoplasmatica
4. La Maquina de Matar Humanos
5. Dejad Ke Los Ninos Se Acerken a El
6. Doctor Frankenstein
7. La Momia!!
8. Me Cago Em Mi Puta Vida
9. Tu Vienes de Negro y Nosotros Volvemos de Gris
10. Experimento E.P.M.

Paralitikos - "Alas de Cuervo"

Formados em 85, tiveram como primeiro nome “Vaccaciones en una Silla de Ruedas”, tendo posteriormente alterado o nome para Los Paralitikos, este grupo de Satander que já se apresentou em Portugal por duas vezes, a primeira para apresentar o disco “Alas de Cuervo” (Concertos em Lisboa e Almada em 2005) e a segunda, no ano passado, inseridos na festa promocional do Drop Dead Festival 2008 onde aproveitaram para apresentar o ultimo trabalho gravado, “Roma No Paga Traidores”.
Politicamente (re)activos e fieis à filosofia punk, são uma banda que não arranja grandes “amigos” na indústria e talvez por isso a distribuição dos seus trabalhos bem como o agendamento de concertos fora de portas limita-se à Península Ibérica.
“Alas de Cuervo” é um álbum que começa fiel às raízes punk dos membros do grupo, com o tema “Paralitikos”, evoluindo para sonoridades mais próximas do post-punk/horror-punk ao longo das 10 musicas que preenchem este trabalho, de onde se destacam “Sangre”, “El Tormento”, “El Hombre Ahogado” (onde se notam algumas influencias dos Cure velha guarda) e acabando com a muito boa “Lovecraft”.

O alinhamento :

1. Paralitikos
2. Mil Cadáveres
3. Alas de Cuervo
4. Sangre
5. La Caza
6. El Mar Muerto
7. El Tormento
8. Los Gusanos
9. El Hombre Ahogado
10. Lovecraft

3.75/5

Myspace

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Marilyn Manson
Quarta 17 de Junho, Coliseu, Porto


EVENTOS

Tributo a The Cure
Sexta 19 de Junho, Metropolis, Lisboa



Hit This
Sábado 20 de Junho, Wait, Porto



Alternative Night
Sábado 20 de Junho, Heavens, Porto



Noite Artística
Domingo 21 de Junho, Atelier, Porto
Organização Abismo Humano

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Lisbon Calling: The Tubes + Carbon/Silicon + Foreigner + Madness
Terça 9 de Junho, Pavilhão Atlântico, Lisboa


EVENTOS

Heavens, programa de terça
Terça 9 de Junho, Heavens, Porto



Placebo: "Battle for the Sun Release Party"
Quarta 10 de Junho, Metropolis, Lisboa


Metropolis: 1 º aniversário com DJ Bruno Kramm [Das Ich]
Sábado 13 de Junho, Metropolis, Lisboa



Dark Night
Sábado 13 de Junho, Heavens, Lisboa



Synergy
Sábado 13 de Junho, Teatro Virgínia, Torres Novas

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Lady in The Water (2006)



"Lady in The Water" é um filme de M. Night Shyamalan que, segundo tenho lido aqui e ali, sofreu duras críticas. Não é certamente um filme à altura de "Sexto Sentido", nem sequer do mais recente "The Happening", mas é sem dúvida superior a "Unbreakable" (desconheço o título em português). Não concordo com o resumo que apresenta o filme como "um conto de fadas", embora relate a história de uma ninfa do mar que vem ao mundo dos homens para os inspirar a ultrapassar a violência e o desespero. Acho que nunca a inspiração foi tão necessária à Humanidade, seja em forma de ninfa ou de presidente dos Estados Unidos, e suspeito que as críticas a este filme não sejam puramente cinematográficas, mas que aquilo que realmente se critica é a vontade de acreditar, seja no que for. Há cada vez menos crentes.
Mas quem ainda deseja acreditar, ou quem ainda, contra tudo e contra todos, acredita no poder da inspiração, poderá ver o filme com algum agrado.

13 em 20

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Festival Fade In: Baby Dee
Sexta 5 de Junho, Teatro Miguel Franco, Leiria




Lisbon Calling: The Tubes + Carbon/Silicon + Foreigner + Madness
Terça 9 de Junho, Pavilhão Atlântico, Lisboa


EVENTOS

DJ Morcego
Sexta 5 de Junho, Metropolis, Lisboa


Kaotic Visions
Sexta 5 de Junho, Heavens, Porto



Back to the 80's
Sábado 6 de Junho, Metropolis, Lisboa



Somewhere In This World Stalks a Thing That Is...
Sábado 6 de Junho, Heavens, Porto

Trent Reznor critica Marilyn Manson

Notícia Blitz:

Trent Reznor (NIN) contra Marilyn Manson: "Ele tornou-se um palhaço drogado"

Mentor dos Nine Inch Nails continua a soltar farpas em todas as direcções. Agora o alvo é o seu antigo protegido, que acusa de o ter "apunhalado pelas costas".

Trent Reznor, líder dos Nine Inch Nails, voltou a afiar a língua para falar de um colega de profissão: depois de Chris Cornell, Prince e Rivers Cuomo (Weezer), o alvo da descarga verbal é Marilyn Manson.

Em entrevista à revista Spin, Reznor não poupou palavras para falar sobre o antigo protegido (Marilyn Manson foi apresentado ao mundo pela Nothing, editora de Reznor que lançou a estreia discográfica do músico).

"É um gajo malicioso, passa por cima de qualquer pessoa para chegar ao sucesso e cruza qualquer linha de decência. As drogas e o álcool regem a sua vida neste momento. Ele tornou-se um palhaço drogado", disse Reznor para de seguida acrescentar: "Costumava ser o gajo mais esperto da sala. E, enquanto fã dos seus talentos, espero que consiga endireitar-se".

"Starfuckers, Inc.", um dos singles do álbum The Fragile , que os Nine Inch Nails editaram em 1999, terá sido escrita por Reznor a pensar em Manson, apesar de o Antichrist Superstar ter chegado a aparecer no teledisco da canção e assim ter dissipado os rumores de zanga entre os dois músicos.

"As coisas ficaram feias entre nós e eu não estou isento de culpa. Apesar disso, grande parte do problema vinha de um gajo vingativo que finalmente saira debaixo da asa do mestre e foi capaz de o apunhalar pelas costas", acusa ainda Reznor.
Recorde-se que os Nine Inch Nails têm regresso marcado a Portugal. A banda de Reznor actua a 31 de Julho no palco do festival Paredes de Coura.

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Here and Now: Kim Wilde, Kick Kershaw, outros
Sexta 29 de Maio, Pavilhão Atlântico, Lisboa
Festival dedicado aos anos 80 onde figuram os interessantes Kim Wilde e Kick Kershaw, e os menos interessantes Belinda Carlisle e Rick Astley, bem como o pop dos ABC e Curiosity Killed the Cat.



Dazkarieh
Sábado 30 de Maio, FNAC, Coimbra


EVENTOS

Marilyn Manson: The High End of Low Release Party
Sexta 29 de Maio, Metropolis, Lisboa




Flashback
Sexta 29 de Maio, Pitch, Porto



The Final Hour
Sábado 30 de Maio, Metropolis, Lisboa

segunda-feira, 25 de maio de 2009

BABY DEE :: 5 de Junho :: Leiria

Segundo os promotores do evento:
"BABY DEE é, simultaneamente, uma das figuras mundiais mais enigmáticas, controversas e respeitadas da música de tradição alternativa. Com um trajecto de vida peculiar (onde se inclui uma mudança de sexo!), BABY DEE é também uma das mais requisitadas multi-instrumentistas da actualidade. Current 93, Marc Almond ou Antony And The Johnsons são alguns dos nomes que habitualmente requerem as suas contribuições, quer seja em estúdio, quer seja ao vivo... Em Leiria, BABY DEE vai mostrar os seus dotes exímios na execução de harpa, piano de cauda e acordeão, instrumentos que tecem a rede musical perfeita onde se espraia uma voz andrógina em jeito de crooner que dá corpo a canções de toada circense e cabaret. Tudo isto envolto num ambiente de boa disposição e humor inteligente, características inatas desta reputada artista. A acompanhá-la estará o violoncelista JOHN CONTRERAS (dos Current 93 e dos Calexico) e o baterista ALEX NEILSON (de Will Oldham, Six Organs Of Admitance e Isobel Campbell)."

Palavras para quê?

Mais informação em: www.myspace.com/fadeinfestival

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Webzines

Já está online e disponível para download a segunda edição da webzine Abismo Humano:

Abismo Humano 2




[Nela encontrarão um texto sobre Tolkien desta vossa katrina, mas há muito mais para descobrir.]

Entretanto, adicionámos à página de webzines a do Projecto Cova, que já vai na terceira edição e se encontra aqui:

Projecto Cova Webzine

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Festival Fade In: God Is An Astronaut + Allstar Project
Sexta 22 de Maio, Teatro Miguel Franco, Leiria

Mais informações: www.myspace.com/fadeinfestival


EVENTOS

Tributo a The Mission
Sexta 22 de Maio, Metropolis, Lisboa



Project Hybrid
22 e 23 de Maio, Covil Bar, Almada



Dark Night
Sexta 22 de Maio, Heavens, Porto



Goth'n'Rock
Sexta 22 de Maio, Valentino's, Porto



Hypnotikcircuit
Sábado 23 de Maio, Fábrica de Som, Porto



Orbit Fest 3
Sábado 23 de Maio, Via Latina, Coimbra



Jukebox Rockin' Fest
Sábado 23 de Maio, Pin Up, Porto



The Gathering Party
Sábado 23 de Maio, Metropolis, Lisboa



The Darkest Night
Sábado 23 de Maio, Heavens, Porto

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Festival Fade In Leiria: Woven Hand + Nuno Rancho
Domingo 17 de Maio, Teatro Miguel Franco, Leiria



EVENTOS

Goth'n'Rock
Quinta 14 de Maio, Rendez Vous, Porto



La Chanson Noire
Sexta 14 de Maio, Covil Bar, Almada



The trees all fall and I hear collapse
Sexta 14 de Maio, Heavens, Porto



Bouquet of Dreams
Sábado 16 de Maio, Parke, Porto



Back To The 80’s
Sábado 16 de Maio, Metropolis, Lisboa


Wanted for karaoke Night
Sábado 16 de Maio, Covil Bar, Almada

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Mão Morta @ AMAC Barreiro 09-05-2009



Chegar a um concerto 5 minutos antes de começar já não me acontecia há muito tempo, também já não me acontecia ter tantas considerações acerca do mesmo evento, assim esta critica irá seguir cronologicamente as considerações como se estas fossem os grandes marcos da noite em que os Mão Morta encerraram a digressão “Ventos Animais”.
A fumar um cigarro antes de entrar, referi ao amigo que comigo foi ver o concerto, que era curioso, com excepção da primeira década da minha vida, tinha visto um e só um concerto de Mão Morta por década, sendo por isso este o 3º concerto, viria mais tarde a pensar que curiosamente os mesmos foram sempre a meio da década, o famoso concerto de ‘89 no RRV (onde a perna do Adolfo sofreu mais do que seria esperado), em ’99 no Coliseu de Lisboa e este no AMAC no Barreiro, respectivamente 15, 25 e 35 anos.
Após esta conversa nada musical, entrámos para dentro da sala e descobriu-se uma boa sala para eventos... mas não para concertos de rock e muito menos para concertos de Mão Morta (porquê os lugares sentados???! Toda a gente sabe que o comodismo é inimigo do rock).
Por volta das 22, Adolfo e restante trupe entram em palco para começar, com “Ventos Animais” (música do álbum “Corações Felpudos” que deu nome à digressão), um bom concerto em que a banda foi bebendo e dando de beber de uma carreira, já mais longa que eu alguma vez esperaria, naquele que seria um alinhamento interessante e a espaços pouco óbvio, para a revisão da carreira que estava na base desta digressão. 
Aquela que será talvez a música que menos gosto, “Budapeste”, apareceu em terceiro num alinhamento, mas entende-se, por mais que não se queira admitir foi a primeira musica que fez alguém levantar-se da cadeira e mais não seja por isso merece referencia, que teve o mérito de me oferecer as saudosas e sempre potentes “E Se Depois”, “Tetas da Alienação”, “Chabala", e “Em Directo...”
Foi algures antes do encore que o meu amigo comentou que ficou contente e algo surpreso pela baixa média etária do público, realidade que a música dos Mão Morta continua actual porque aquele público vibrou e não foi só com “Budapeste”, este comentário viria mais tarde a dar azo à ultima consideração motivada pelo concerto, depois de “Anarquista Duval” que encerraria um concerto memorável, primeiro por ter sido bom e depois porque 3 concertos em 20 anos não dá para enjoar e muito menos para se tornar banal, foi já quando saiamos da sala que comentei que alguns dos membros do público teriam pelo menos a mesma idade que o primeiro concerto que vi dos Mão Morta. 
Em resumo, a banda competente como sempre, Adolfo comunicativo, irónico desconcertante, enfim Mão Morta em grande após 20 anos.

As fotos... poucas... e como sempre de qualidade duvidável foram tiradas por mim...