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quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

The Garden of Delight / Merciful Nuns: jardim de delícias

Merciful Nuns

Este é um post há muito devido. Há demasiado tempo que The Garden of Delight e a sua posterior encarnação Merciful Nuns me têm feito as delícias sem que deles tenha falado. Mas não vou contornar a batata quente. O profícuo trabalho de ambos os projectos é "derivativo", como se diz agora quando queremos ser simpáticos. Quem não quer ser simpático poderá chamar-lhe "imitação" de Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy, mas vamos lá mais devagarinho. Há imitação e há homenagem.
Antes de prosseguir vou relatar uma conversa que tive sobre o assunto, aqui há uns anos, com um daqueles ultra fãs de Sisters of Mercy. Conheci-o porque, eu também, era uma ultra fã de Sisters of Mercy. (Entretanto deixei de ser, mas não vem agora ao caso.) Penso que a conversa até não era sobre os Garden of Delight, salvo erro era sobre os Merry Thoughts, mas a questão é exactamente a mesma. Perguntava-lhe:
"Então, o que pensas destas bandas em que o vocalista faz uma voz tão igual ao Andrew Eldritch que quase não se percebe que não é o próprio?"
Ele: "Imitações. Rip-offs. Não interessam."
Eu: "Não sei... Têm boas canções. O estilo pode não ser original mas as canções não são cópias. E pelo menos assumem que são góticos e não fingem que não são. Porque é que não hei-de gostar de bandas que fazem a música que eu gosto de ouvir?"
Ele: "Estilo gótico!... Mas era só isso, no início, o estilo gótico?"
Aqui fiquei sem palavras porque ele já se referia a toda uma envolvente pós-punk que disse muito às pessoas que a viveram. Já não estávamos a falar de música, estávamos a falar de atitudes, rebeldias, tomadas de consciência, posições políticas e filosóficas. Os anos pós-punk, a adolescência. Não quis entrar nesse debate.

Não sou dada a nostalgias, percebo agora que sou mais velha, e nunca consegui ficar agarrada a meia dúzia de bandas preferidas dos anos 80. Nem me bastava! Musicalmente, sou um vampiro. Preciso sempre de mais, e mais, e mais. E devo dizer, depois de mais de metade da minha vida a ouvir música como um vampiro insaciável, que original nem sempre é bom, e certamente não é tudo. Mais vale não original e bom do que original e mau. Nunca assinei um pacto a prometer que sempre ouviria música original, da mesma forma que também não assinei um pacto com as bandas antigas a prometer que não ouviria bandas novas (originais ou não). Tudo isto para dizer que na minha opinião o original, apesar de sempre promissor e bem vindo, está sobrestimado.
Já não tenho preconceitos com bandas derivativas. Sei do que gosto musicalmente, e não vejo nenhuma razão para não ouvir o que gosto. Também não vejo nenhuma razão para que as bandas não dêem aos ouvintes exactamente a experiência que estes lhes pedem, a musical e a outra. A experiência gótica. E nisso, tanto os Garden of Delight como os Merciful Nuns, ambos projectos alemães da autoria do mesmo mentor Artaud Seth, não decepcionam. Isto é rock gótico, isto continua o estilo que Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy iniciaram, isto é o que eu quero ouvir. O conteúdo lírico, inspirado no oculto e no ritualismo, invocando anjos, deuses e demónios, inspirado em Crowley e Lovecraft, e ao mesmo tempo espiritualista, entre a contemplação e a sublimação da morte, também me delicia. (Ouça-se a solução sobrenatural de "In Between Worlds", Merciful Nuns, "she found a way to wander forever in between worlds" e compare-se com "Emma", The Sisters of Mercy*, "to find her lying still and cold and upon my bed", em que a tragédia se esgota na crueza da realidade.) 
Os amantes do sobrenatural vão gostar muito destes prazeres proibidos, tabus, que apenas apelam à alma gótica.

Garden of Delight "The Darkest Hour" 2007

Fica o alerta, quem viu relata que os Merciful Nuns são uma força da natureza ao vivo. Acredito plenamente. Assim me seja dada a oportunidade de testemunhar.



*Pequena adenda: Depois de escrever este post ocorreu-me acrescentar que "Emma" não é um original dos Sisters of Mercy, mas sim dos Hot Chocolate, uma banda soul britânica. Mesmo assim, achei interessante fazer a comparação porque a escolha de uma versão também fala pelo seu intérprete.
(A reboque desta curiosidade, ouvi pela primeira vez o original dos Hot Chocolate, um êxito de 1974. Vale a pena ver o vídeo.)




quinta-feira, 29 de março de 2018

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Fields of The Nephilim + Bal Onirique
Sábado 31 de Março, Hard Club, Porto



EVENTOS

Metropolis Free Party
Quinta 29 de Março, Metropolis, Lisboa



Electric Dreams
Quinta 29 de Março, Club Noir, Lisboa



Vanguarda Alternative 70s 80s 90s 00s
Sábado 31 de Março, Metropolis, Lisboa



Especial Vozes Femininas
Sábado 31 de Março, Club Noir, Lisboa



Fields of The Nephilim after party
Sábado 31 de Março, Heaven's, Porto




sexta-feira, 7 de maio de 2010

"O Castelo de Otranto", por Horace Walpole

Não sei se esta foi a primeira vez que li "O Castelo de Otranto". Lembro-me de ter estado várias vezes na Feira do Livro, com este nas mãos, folheando e questionando se deveria ou não comprar. Se comprei, e se li, não me lembrava absolutamente nada da história. Algo me diz que não cheguei a ler, por duas razões. A primeira, porque me parecia um conto demasiado pequeno em que gastar o meu dinheiro (sempre preferi histórias longas). A segunda, porque folheando não me pareceu suficientemente sobrenatural numa altura em que eu procurava sobretudo os clássicos mais marcantes.
Isto, de procurar o mais gritante, em si também é curioso, porque a um leitor é necessário conhecer os extremos antes de conseguir apreciar a subtileza do intermédio.
Só agora, finalmente, me debrucei sobre "O Castelo de Otranto", considerada a primeira novela gótica, e a li com outros olhos, e uma uma outra percepção tão vasta e profunda que milhentas ideias me surgiram de seguida. Não sei se conseguirei expor sequer algumas. Foi uma espécie de turbilhão que ainda tem de ser melhor estudado. (Quando digo "estudado", refiro-me à análise mais cuidada desta minha tese embrionária.)
"O Castelo de Otranto" conta uma história interessante sobre um tirano que tudo faz para manter a descendência masculina do seu principado de modo a que este não se extinga por falta de legítimos herdeiros. E é isto, não há nada mais. A maldição, os "efeitos sobrenaturais", são secundários. Por alguma razão lhes chamo "efeitos", como se aplica o termo nos filmes. O que é realmente interessante na história é a forma como Manfred tenta manipular todos os que entram em contacto com ele, e a profundidade psicológica desta personagem escrita no século XVIII (1764). Por isto, sim, fiquei maravilhada.
E decidi procurar mais sobre a "novela gótica". Diz a wikipedia: a novela gótica é um género literário que combina elementos de horror e romance.
Foi aqui que a minha mente se pôs a trabalhar a 1000 à hora. Não a respeito da novela gótica clássica, mas de tudo aquilo que actualmente caracteriza o movimento gótico como o conhecemos. Haverá, actualmente, uma literatura gótica, isto é, moderna? E terá já alguma coisa a ver com o clássico?
Afinal, quanta música gótica trata de fantasmas? Vejam-se os clássicos. As referências são muitas, mas os fantasmas já não estão no exterior. Os fantasmas, actualmente, são projecções dos medos inconscientes. (Freud fazia mesmo muita falta à literatura). E se é a profundidade psicológica de uma personagem como Manfred que me toca, não o é menos o drama existencial dos vampiros de Anne Rice, que já não são personagens de terror, são seres humanos que por acaso são vampiros e que por essa razão conseguem analisar a condição humana por uma lente privilegiada. Na minha opinião, há muito que a literatura que é lida pelo movimento gótico se afastou do "terror" clássico, mais ou menos da mesma maneira que alguém disse dos Joy Division que os seus temas eram góticos, e não consta que falassem de fantasmas. Pelo menos dos fantasmas de fora. E há muito tempo que o verdadeiro terror vem das profundidades da alma, sem sequer a necessidade de o projectar num monstro algures na noite lá fora. A banda que melhor conseguiu fazer esta ligação, escrevendo canções de amor que algumas pessoas interpretaram como a possessão por um íncubo, foram os Fields of the Nephilim. Quando alguém comentou isto, mais ou menos na brincadeira, eu lembro-me de ter perguntado: não é isso que é o sexo, qualquer e todo o sexo? Qual é a diferença? E se é assustador? E desde quando sentir que a felicidade depende de um ser que nos é alheio e incontrolável não é assustador? Para quê mais monstros, se já há tantos onde eles realmente existem e sempre existiram?
Eram muito ingénuos, estes primeiros escritores góticos, mas enfim... Freud fazia falta.



Original in Gotika

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Fields of The Nephilim - Coliseu do Porto

A minha ansiedade por ver, finalmente, Fields of the Nephilim não me toldou o juízo perante uma actuação tão pobre. Se a principio o nome Bizarra Locomotiva para primeira parte me pareceu estranho, no fim da noite já não encontrei estranheza alguma na escolha, primeiro, porque estes evoluíram bastante musicalmente e segundo, porque os Fields que se apresentaram em palco, trouxeram muito mais rock que gótico(?), acabando assim por estas duas bandas não soarem muito distantes uma da outra.

Como foi referido, a primeira parte esteve a cargo de uns Bizarra Locomotiva com álbum novo debaixo do braço, a distribuir energia por meio coliseu, mostrando a quem, ainda, não os conhece, o que é Industrial.

E foi a esse meio coliseu do Porto, aquecido pelos Bizarra Locomotiva, que o Nephilim e os seus Fields se apresentaram secos e sem a magia que seria expectável a quem se habituou a ouvir os álbuns de estúdio (falta dos manos Wright?) – a banda limitou-se a regurgitar músicas de Mourning Sun intercaladas com trabalhos mais antigos.

Não senti em tempo algum o “coração parar” sob a vista do Nephilim McCoy em palco, nem quando Moonchild soou, nem mesmo no único encore que, apesar de ter melhorado significativamente o concerto, não me apagou da memória o resto da noite, e não elevou a positivo a prestação da banda. Triste pelo que vi e ouvi, dei por mim a pedir silenciosamente para que não houvesse um segundo encore.

Pela primeira vez em 21 anos de concertos digo que preferia ter deixado os Fields “At the gates of silent memory” para, assim, poder continuar a ilusão de que ainda existe rock gótico.

Por estas razões esta crítica é necessáriamente curta e amargurada.
Fotografias? Procurem-nas pelos portais e outros fóruns – apaguei todas as que tirei.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Fields of the Nephilim
Sábado 6 de Fevereiro, Coliseu, Porto


Tindersticks
Quarta 3 de Fevereiro, Centro Cultural e de Congressos, Caldas da Rainha
Quinta 4 de Fevereiro, Centro Cultural Vila Flor, Guimarães
Sexta 5 de Fevereiro, Centro Cultural Olga Cadaval, Sintra
Sábado 6 de Fevereiro, Teatro Municipal da Guarda, Guarda
Domingo 7 de Fevereiro, Cine Teatro de Estarreja, Estarreja


EVENTOS

Neon Nights
Sexta 5 de Fevereiro, Metropolis, Lisboa



Oporto Decay
Lançamento edição nº 5 da fanzine Oporto Decay
Sexta 5 de Fevereiro, Espaço 77, Porto



Fields of the Nephilim after party
Sábado 6 de Fevereiro, Heavens, Porto



Fields of the Nephilim after party
Sábado 6 de Fevereiro, Maus Hábitos, Porto



Synergy Night: Fields of the Nephilim after party
Sábado 6 de Fevereiro, Pitch Club, Porto



Back to the 80's
Sábado 6 de Fevereiro, Metropolis, Lisboa

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Agenda [actualizado]

EVENTOS

Bouquet of Dreams
Sexta 15 de Janeiro, Parke, Porto




Alternative Landscapes
Sexta 15 de Janeiro, Metropolis, Lisboa




Especial Fields of the Nephilim
Sexta 15 de Janeiro, Heavens, Porto




Tributo a Fields of the Nephilim
Sábado 16 de Janeiro, Metropolis, Lisboa




Indie Digital Sessions
Sábado 16 de Janeiro, Pitch, Porto




Dark Night
Sábado 16 de Janeiro, Heavens, Porto


quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Fields of the Nephilim no Porto

Está anunciado o concerto dos Fields of the Nephilim a 6 de Fevereiro, no Coliseu do Porto.
Contudo, não há confirmação no site oficial.



Actualizado:
Página dos organizadores Prime Artists