Mostrar mensagens com a etiqueta Joy Division. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Joy Division. Mostrar todas as mensagens

sábado, 2 de janeiro de 2021

Siglo XX, ilustres desconhecidos


Os Siglo XX são uma banda belga formada em 1978. Uma banda que só descobri graças, mais uma vez, ao festival Extramuralhas do ano passado. Não posso dizer que nunca tinha ouvido falar deles, porque afinal até tenho um tema dos Siglo XX na compilação “Fuck Yeah Goths Mix One” (2010), mas simplesmente não lhes tinha prestado a atenção que merecem. Desde o Extramuralhas 2019, que lhes descreve o género musical como Coldwave, Gothic Rock, Darkwave e Post-Punk, fui finalmente aprofundar a discografia desta excelente banda. E fiquei perplexa de como é que me passaram ao lado este tempo todo. Mas mais vale tarde do que nunca.
Um dos motivos para isto, suspeito, é que a música dos Siglo XX não é exactamente dançável (pode ser, mas é mais para ouvir do que para dançar, no meu gosto pessoal) e passa muito discretamente no meio de outras bandas do mesmo género. Não é banda em que se repare numa disco ou bar, por exemplo, enquanto se conversa com amigos.
Às vezes os temas lembram-me Joy Division, outras Bauhaus, outras ainda Siouxie and The Banshees, e Sisters of Mercy e Nick Cave do início, e até Dead Can Dance do primeiro álbum. Como é que é possível perdê-los?
Os Siglo XX fazem um som subtil e envolvente, com letras fortes e sombrias, que merecia ser mais conhecido. Recomendo que os vão já descobrir se eles também vos passaram ao lado.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

"O Castelo de Otranto", por Horace Walpole

Não sei se esta foi a primeira vez que li "O Castelo de Otranto". Lembro-me de ter estado várias vezes na Feira do Livro, com este nas mãos, folheando e questionando se deveria ou não comprar. Se comprei, e se li, não me lembrava absolutamente nada da história. Algo me diz que não cheguei a ler, por duas razões. A primeira, porque me parecia um conto demasiado pequeno em que gastar o meu dinheiro (sempre preferi histórias longas). A segunda, porque folheando não me pareceu suficientemente sobrenatural numa altura em que eu procurava sobretudo os clássicos mais marcantes.
Isto, de procurar o mais gritante, em si também é curioso, porque a um leitor é necessário conhecer os extremos antes de conseguir apreciar a subtileza do intermédio.
Só agora, finalmente, me debrucei sobre "O Castelo de Otranto", considerada a primeira novela gótica, e a li com outros olhos, e uma uma outra percepção tão vasta e profunda que milhentas ideias me surgiram de seguida. Não sei se conseguirei expor sequer algumas. Foi uma espécie de turbilhão que ainda tem de ser melhor estudado. (Quando digo "estudado", refiro-me à análise mais cuidada desta minha tese embrionária.)
"O Castelo de Otranto" conta uma história interessante sobre um tirano que tudo faz para manter a descendência masculina do seu principado de modo a que este não se extinga por falta de legítimos herdeiros. E é isto, não há nada mais. A maldição, os "efeitos sobrenaturais", são secundários. Por alguma razão lhes chamo "efeitos", como se aplica o termo nos filmes. O que é realmente interessante na história é a forma como Manfred tenta manipular todos os que entram em contacto com ele, e a profundidade psicológica desta personagem escrita no século XVIII (1764). Por isto, sim, fiquei maravilhada.
E decidi procurar mais sobre a "novela gótica". Diz a wikipedia: a novela gótica é um género literário que combina elementos de horror e romance.
Foi aqui que a minha mente se pôs a trabalhar a 1000 à hora. Não a respeito da novela gótica clássica, mas de tudo aquilo que actualmente caracteriza o movimento gótico como o conhecemos. Haverá, actualmente, uma literatura gótica, isto é, moderna? E terá já alguma coisa a ver com o clássico?
Afinal, quanta música gótica trata de fantasmas? Vejam-se os clássicos. As referências são muitas, mas os fantasmas já não estão no exterior. Os fantasmas, actualmente, são projecções dos medos inconscientes. (Freud fazia mesmo muita falta à literatura). E se é a profundidade psicológica de uma personagem como Manfred que me toca, não o é menos o drama existencial dos vampiros de Anne Rice, que já não são personagens de terror, são seres humanos que por acaso são vampiros e que por essa razão conseguem analisar a condição humana por uma lente privilegiada. Na minha opinião, há muito que a literatura que é lida pelo movimento gótico se afastou do "terror" clássico, mais ou menos da mesma maneira que alguém disse dos Joy Division que os seus temas eram góticos, e não consta que falassem de fantasmas. Pelo menos dos fantasmas de fora. E há muito tempo que o verdadeiro terror vem das profundidades da alma, sem sequer a necessidade de o projectar num monstro algures na noite lá fora. A banda que melhor conseguiu fazer esta ligação, escrevendo canções de amor que algumas pessoas interpretaram como a possessão por um íncubo, foram os Fields of the Nephilim. Quando alguém comentou isto, mais ou menos na brincadeira, eu lembro-me de ter perguntado: não é isso que é o sexo, qualquer e todo o sexo? Qual é a diferença? E se é assustador? E desde quando sentir que a felicidade depende de um ser que nos é alheio e incontrolável não é assustador? Para quê mais monstros, se já há tantos onde eles realmente existem e sempre existiram?
Eram muito ingénuos, estes primeiros escritores góticos, mas enfim... Freud fazia falta.



Original in Gotika

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Varios - "Electric Circus - Short Circuit" 10''


Falar deste 10'' e da sala onde foi gravado é falar de uma altura em que o mais importante era o que viria a seguir, tal como John Cooper Clarke afirmou em relação ao fim dos Spiral Scratch "one thing would start another" e é esta necessidade, de criar por uns e de consumir por outros, que colocou Manchester e este Electric Circus no centro do mapa musical.
É legitimo afirmar que foram os dois concertos dos Sex Pistols que quebraram a inércia de jovens como Ian Curtis, Morrisey, Mark E Smith e Devoto, que entre os presentes na audiência foram quem mais notoriedade obtiveram. Durante a sua curta existência o Elecrtric Circus passou de sala de concertos Heavy para uma incubadora daquilo que viria a ser conhecido como o Post Punk, com bandas como os The Fall, os joy Division a darem ali os primeiros passos.
Após 10 meses de actividade a noticia que o espaço seria encerrado por razões de segurança surgiu e com ela a vontade de promover um evento no ultimo fim de semana de actividade e é assim que nasce no fim de semana de 1 e 2 de Outubro de 1977 um "festival" de despedida com bandas como os The Worst, The Perfects, John The Postman, The Negatives, Magazine e as que aparecem neste registo, Warsaw, The Fall, Buzzcocks, The Drones, Buzzcocks e Steel Pulse.
Longe de consensual por quem esteve presente no evento o alinhamento deste 10'' é o possível, certamente o tempo as condições da sala e o orçamento não permitiam mais e assim caracterizam este fim de semana uns The Fall, ainda no inicio mas com uma densidade musical que mais tarde lhes seria reconhecida, John Cooper Clarke nesta altura mais interessante lido que ouvido (apenas justificável pela altura em que se vivia), Warsaw ainda longe da genialidade que viriam a atingir sob o nome de Joy Division, Buzzcocks com o já inevitável e cansado "Time's Up", Steel Pulse que nos faz perguntar se não haveria mais nada e uns The Drones iguais a eles próprios, inconsequentes...
Em resumo este registo vale pelo valor sentimental que terá para quem viveu na pele aqueles dias, para os fãs de qualquer um dos presentes no alinhamento e pelas duas musicas de The Fall que são de longe as melhores do disco, um pouco à parte fica a curiosidade de ouvir a afirmação de Ian ou de Bernard (a duvida mantém-se) que antecede "At a Later Date", "You all forgot Rudolf Hess"...

O Alinhamento:

1 - The Fall – “Stepping Out”
2 - John Cooper Clarke – “(You Never See A Nipple In The) Daily Express“
3 - Warsaw (Joy Division) – “At A Later Date”
4 - The Drones – “Persecution Complex“
5 - Steel Pulse – “Makka Splaff”
6 - John Cooper Clarke – “I Married A Monster From Outer Space“
7 - The Fall – “Last Orders”
8 - Buzzcocks – “Time's Up”

Pelo pedaço de história que representa : 3/5

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

JOY DIVISION :: LEIGH ROCK FESTIVAL 1979

Fazia lá eu ideia que em Leigh se faziam festivais de rock em 1979... faz algum sentido tendo em conta a proximidade de Manchester... seja como for, este disco não seixa de ser uma surpresa.
Então, pelos vistos, a Interstate Records lembrou-se de disponibilizar, nos finais de Dezembro, um disco de edição limitadíssima do concerto que os JOY DIVISION deram em na tal cidade Leigh, contando com 11 faixas, a saber:

1- Disorder
2- Leaders of Men
3- Colony
4- Insight
5- Digital
6- Dead Souls
7- Shadowplay
8- She's Lost Control
9- Transmission
10- Interzone
11- Sound of Music - Intro
Simultaneamente será lançado, também, em formato CD de edição limitada, uma compilação dos quatro concertos realizados em Leigh em 1979, com prestações dos já referidos Joy Division, dos A Certain Radio, dos Orchestral Maneuvres In The Dark e, ainda, dos The Teardrop Explode. Para além de todo este material, o CD virá acompanhado com informações e fotos raras do evento... deve ser interessante...

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Control

Sam Riley - Control

Baseado num dos poucos relatos pessoais e íntimos existentes de Ian Curtis, “Touching From a Distance” de Deborah Curtis, “Control” conta-nos a história já conhecida e rebatida vezes sem conta de Ian Curtis, a diferença aqui está no facto de que desta vez ela é-nos contada de dentro para fora, ou seja, o espectador ao ver o filme não vê um filme sobre Ian Curtis vocalista e líder dos Joy Division mas sim um filme sobre um casal em que o marido é Ian Curtis, que por acaso é vocalista dos Joy Division, e é precisamente aqui que este filme se afasta do documentário típico sobre um qualquer grupo musical e se aproxima definitivamente de um drama baseado numa história real.
Filmado a preto e branco com uma mestria que poucos demonstram, e tendo em conta que é a estreia em longas metragens, Corbijn, conhecido pelo seu trabalho junto dos PIL, Joy Division e mais recentemente dos U2 e Depeche Mode, conseguiu surpreender e não fazer um teledisco de 2h, e mais que isso recriar com uma dose elevada de realismo tanto o retrato de uma Manchester cinzenta e depressiva a sair do Punk com todo aquele sentimento de urgência que naqueles tempos se vivia em termos culturais, como, por outro lado a imagem que todos temos de Ian Curtis (aliás imagem que todos devemos a ele mesmo, não esquecer que são dele algumas das fotografias mais conhecidas dos Joy Division).
O realismo obtido no filme (afirmado tanto pelos "ex-Joy Division" como por Deborah Curtis, que consta ter entrado uma vez no set e chamado Sam Riley de Ian) é fruto de um conjunto de esforços, tanto do realizador/produtor (como exemplo, a casa que aparece no filme é a casa onde Ian e Deborah moravam), como, claro, dos actores, principalmente dos membros do grupo que tocaram todas as músicas, sendo que Sam conseguiu captar todos aqueles maneirismos de Ian em palco, tornando as cenas ao vivo soberbas a nível visual, e de Samantha Morton que no papel de Deborah Curtis tem uma actuação inteligente servindo de “âncora” durante todo o filme sem, no entanto, nos desviar a atenção do protagonista.
Impressionante também, é o fim, onde, e muito bem, não nos é permitido “entrar” dentro de casa com Deborah, mantendo-se assim o momento do suicídio como o momento privado que foi.

Não sendo, como já referi, um "documentário rock" é, para mim, o melhor documentário biográfico de um artista que alguma vez vi.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Control - Banda Sonora


Marcada que está para chegar às lojas a 1 de Outubro deste ano, a banda sonora do filme “Control” já tem a tracklist divulgada da qual se destacam as 3 novas musicas instrumentais de New Order, a saber:

1) Exit - New Order
2) What Goes On - The Velvet Underground
3) Shadowplay (Joy Division cover) - The Killers
4) Boredom (Live) - The Buzzcocks
5) Dead Souls - Joy Division
6) She Was Naked – Supersister
7) Sister Midnight - Iggy Pop
8) Love Will Tear Us Apart - Joy Division
9) Problems (Live) - Sex Pistols
10) Hypnosis - New Order
11) Drive In Saturday - David Bowie
12) Evidently Chickentown - John Cooper Clarke
13) 2H.B. - Roxy Music
14) Transmission (Cast Version) - Joy Division
15) Autobahn – Kraftwerk
16) Atmosphere - Joy Division
17) Warszawa - David Bowie
18) Get Out - New Order

Em resumo temos o lançamento da Banda Sonora a 1 de Outubro, à laia de “entrada” para estimular a degustação do filme cuja estreia está prevista para o dia 11 do mesmo mês.
Ainda aproveitando a estreia do filme serão reeditados em edições especiais os 3 álbuns oficiais da banda (“Unknown Pleasures”, “Closer” e “Still”) bem como o single “Love Will Tear Us Apart” . Todos os álbuns serão acompanhados por um cd extra com gravações ao vivo estando agendado o lançamento para 24 de Setembro.


Mais informações em :

XFM - tracklist dos cds bónus ao vivo.

New Order/Joy Division

Página oficial do filme