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terça-feira, 12 de maio de 2026

Culatra - "Capítulo Primeiro: 1985-1989 / Sombras e Fantasmas" (Pós-80's label)

Segundo o press release, os Culatra foram "provavelmente a primeira banda portuguesa assumidamente gótica". Com actividade entre 1985 e 1992, nunca chegaram a gravar um disco. Esta colectânea, pela Pós-80's, reúne "os registos raros e inéditos do material gravado entre 1985-1989, provenientes de uma maquete, ensaios e um tema ao vivo no RRV".
Não tenho qualquer lembrança dos Culatra (o que não significa que nunca tenha ouvido falar deles). Estou impressionada com a qualidade desta banda de Lisboa que merecia mais reconhecimento, e lamento que tenham acabado sem deixar discografia. A diferença que o Bandcamp teria feito naquela altura! Nestes registos, finalmente trazidos à luz do dia em 2026, encontro influências do melhor da época: Joy Division, Bauhaus, Sisters of Mercy e outras referências pós-punk incontornáveis. Este é o som que eu recordo do Rock Rendez Vous. A qualidade das gravações é que é fraquinha, como seria de esperar de ensaios, maquetes e música ao vivo.
Para descobrir agora no Bandcamp, já que esta música esperou tanto tempo entre sombras e fantasmas.

According to the press release, Culatra were "probably the first explicitly Portuguese goth band". Even though they were active between 1985 and 1992, a record was never released. This compilation by the Pós-80's label brings together "rare and unreleased recordings from 1985 to 1989, taken from demos, rehearsals, and a live track at the RRV [Rock Rendez Vous]".
I have no recollection of Culatra (which doesn't mean I've never heard of them). I'm impressed by the quality of this Lisbon band, which deserved more recognition, and I regret that they disbanded without leaving a discography. The difference Bandcamp would have made back then! In these recordings, finally brought to light in 2026, I find influences from the best of the era: Joy Division, Bauhaus, Sisters of Mercy, and other inescapable post-punk references. This is the sound I remember from Rock Rendez Vous. The recording quality is weak, as one would expect from rehearsals, demos and live music.
After waiting so long amidst shadows and ghosts, Culatra’s music can finally be discovered on Bandcamp.

 

pos-80s.bandcamp.com/album/cap-tulo-primeiro-1985-1989

  

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

💜Canções preferidas, álbuns relevantes e descoberta de 2025 / 2025: favourite songs, relevant albums, discovery💜

Há alguns anos que tenho feito esta lista mentalmente, mas, em 2025, para não chegar ao fim do ano e não me lembrar de nada, fui mais esperta e comecei a tomar nota de potenciais canções preferidas desde Janeiro. 
A meio do ano apercebi-me de que devia também ter anotado lançamentos relevantes, aqueles que até podem não incluir uma das minhas canções preferidas mas que merecem atenção e audição.
Este ano recebi uma média de 10 lançamentos por dia nas áreas do gótico, post-punk, darkwave e afins, o que dá uma brutalidade de cerca de 3600 álbuns, singles, EPs e remixes, e ouvi tudo, em muitos casos mais do que uma vez. Mas acontece que sou muito esquisita e selectiva, o que também significa que estas escolhas são, na minha opinião, o melhor do melhor.
Esta é uma lista de canções preferidas de 2025 unicamente segundo o meu gosto pessoal. Se falhou alguma coisa importante, é possível que eu não esteja na mailing list. Por favor deixem em comentários.

For several years now I've been making this list mentally, but, in 2025, I got smarter and I've written down potential favourite songs since January, so I wouldn't forget all about them by the end of the year.
Midway through the year, I realised that I should have also noted down relevant releases, the kind that may not include any of my favourite songs but that do deserve attention and a listen.
This year I received an average of 10 releases a day in the goth, post-punk, darkwave and similar genres, which amounts to a brutality of 3600 or so albums, singles, EPs and remixes, and I've listened to everything, in many cases more than once. The thing is, I’m very picky and selective, which means these choices are, in my opinion, the best of the best.
This is a list of my favourite songs of 2025, based solely on my personal taste. If I've missed anything important, it's very possible that I'm not on that mailing list. Please let me know in the comments.


Canção preferida de 2025 / Favourite song of 2025

💥Valisia Odell - An Arabian Tale💥

Esta canção apanhou-me de surpresa e foi paixão instantânea. Obrigada à malta do Festival Entremuralhas/Extramuralhas por ter trazido Valisia Odell. Já não é a primeira vez que só conheço uma banda porque vem ao festival de Leiria.👍

This song took me by surprise and it was an immediate infatuation. Thank you guys from Festival Entremuralhas/Extramuralhas for bringing Valisia Odell. It's not the first time I've only discovered a band because they have brought them to Leiria's festival.👍


Outras canções preferidas de 2025 / Other favourite songs of 2025

Black Angel - LUXX

Black Rose Burning - Into The Black

Bootblacks - Leipzig (feat. Oskar Carls [VIAGRA BOYS])

Corpus Delicti - Crash

Creux Lies - Apocalypto

Date at Midnight - Useless Love

Echoberyl - Morgana

Gothzilla - DES PER ATE 

Long Night - Ghost

Octavian Winters - Hermine 

Peter Murphy - The Artroom Wonder

Pink Turns Blue - Stay For The Night

Rosa Crux - 1335

Rosetta Stone - Connect The Dots

Talk To Her – PLD

The Chameleons - Saviours Are A Dangerous Thing

The Red Moon Macabre - Black Chiffon Melee *

The Red Moon Macabre - Carmilla *

* É muito difícil escolher lançamentos de The Red Moon Macabre porque o projecto tem sido tão prolífico que eu perdi a conta por volta dos 20 álbuns em 3 anos (mas já vai em mais). Tentando ser justa, escolhi uma canção de Janeiro e outra de Novembro. Aproveito para destacar o álbum "Shelley's Monster" (que inclui "Carmilla"), uma homenagem em rock gótico à literatura de terror do século XIX. Está aqui quase tudo: Carmilla, Frankenstein, a Mulher de Branco, Jekyll And Hyde, Varney, Dorian Gray (Drácula não precisa de estar porque The Red Moon Macabre já lhe dedicou vários temas).

* It's very difficult to choose releases from The Red Moon Macabre because the project has been so prolific that I've lost count around the 20 albums in 3 years (but meanwhile it became a lot more). In an attempt to be fair, I chose one song from January and another from November. I'll take this opportunity to highlight the album "Shelley's Monster" (which includes "Carmilla"), a goth rock homage to 19th century horror literature. Almost everything is here: Carmilla, Frankenstein, the Woman in White, Jekyll and Hyde, Varney, Dorian Gray (no need to include Dracula since The Red Moon Macabre already have several songs about him).


Álbuns relevantes / Relevant albums

Black Rose Burning - The Fear Machine

Bootblacks - Paradise 

Corpus Delicti - Liminal 

Merciful Nuns - FINISTERE

Peter Murphy - Silver Shade

Pink Turns Blue - Black Swan

Red Lorry Yellow Lorry - Strange Kind Of Paradise

Rosetta Stone - Dose Makes The Poison

Talk To Her - Pleasure Loss Desire

The Chameleons - Arctic Moon

The Red Moon Macabre - Shelley's Monster

ULTRA SUNN - The Beast In You

Valisia Odell - Shadow of a Dream


Descoberta de 2025 / Discovery of 2025

Lung Overcoat *

* Lung Overcoat foi uma banda efémera que deixou apenas meia dúzia de canções arrepiantemente boas que só/finalmente descobri em 2025.

* Lung Overcoat was an ephemeral band that only released half a dozen chillingly good songs that I only/finally discovered in 2025.


domingo, 30 de novembro de 2025

Goth Club Classics

Inspired by DJ Dead Parrot's stream Goth Club Classics, here's my list of club hits circa the early 2000s. I'm missing those that never made it to my music files, but please refresh my memory.
This is my experience, what's yours? 

Alien Sex Fiend - Dead And Buried
Anathema - Fragile Dreams
Bauhaus - Kick In The Eye
Clan of Xymox - Louise 
Corpus Delicti - Saraband
Covenant - Dead Stars
Depeche Mode - Personal Jesus
Die Form - Rain Of Blood
Echo & The Bunnymen - Lips Like Sugar
Fields Of The Nephilim - Moonchild
Front 242 - Headhunter
Heroes Del Silencio - Entre Dos Tierras
Joy Division - Love Will Tear Us Apart
Marilyn Manson - The Beautiful People
Moonspell - Vampiria
New Order - True Faith
Nick Cave & The Bad Seeds - Deanna
Nine Inch Nails - The Perfect Drug
Nitzer Ebb - Join In The Chant
Paradise Lost - Say Just Words
Peter Murphy - Indigo Eyes
Rammstein - Du Hast
Red Lorry Yellow Lorry - Hollow Eyes
Rosetta Stone - Adrenaline
Siouxsie and the Banshees - This Wheel's On Fire
Soft Cell - Sex Dwarf
Suspiria - Glitter
The Chameleons - In Shreds
The Creatures - Exterminating Angel
The Cult - She Sells Sanctuary
The Cure - Burn
The Merry Thoughts - Pale Empress
The Mission - Severina
The Prodigy - Firestarter
The Sisters of Mercy - Lucretia My Reflection
Tiamat - Brighter Than The Sun
Type O Negative - Black No. 1 
Virgin Prunes - Baby Turns Blue
VNV Nation - Darkangel 
Wolfsheim - Once In a Lifetime

 

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Crippling Alcoholism - "Camgirl" (2025)

This release was recommended by Bandcamp.
Crippling Alcoholism are described with the tags "rock", "goth" and "noise rock", but I don't think it does them justice. In the whole, the sound is more innovative than just a bunch of tags, which is good. The lyrics are both violent and melancholy in an existential way, and even though the music is too harsh for my liking, it has gripped me. I listened to the first couple of singles and I immediately followed the band. 
After hearing the entire album, I'd say that it sounds like it was written by a gansta rapper with goth tendencies (but ashamed of them). Both music and lyrics sound like a very weird mix of Birthday Party, O.Children and Body Count, and a pinch of grunge at times. I would be delighted if Crippling Alcoholism decided to embrace the goth tendencies with a full heart, but, then again, of course I would.
I recommend listening to "Mr. Sentimental" and "LADIES' NIGHT (feat. Luxury Skin)".

https://cripplingalcoholism.bandcamp.com/album/camgirl

 

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Noir Clubbing

Este é um post há muito devido, apesar das vicissitudes que o atrasaram. O Club Noir original abriu em Fevereiro de 2011 na Baixa (Rua da Madalena). O Noir Clubbing (novo nome) mudou-se para Alvalade (Rua António Patrício, 13B) em Novembro de 2019. Na verdade, a inauguração só aconteceu em Março de 2020. Entretanto, veio a pandemia. Pior altura não podia haver. Não tive oportunidade de conhecer o novo sítio antes e só consegui ir lá agora.
Sobretudo, tenho a dizer que mudou para melhor! Mais amplo, mais espaço, um bar maior, melhor som e pista de dança. Os habitués vão reconhecer a mobília, mas muito menos “apertada” e com mais lugar para conversar. As paredes estão pintadas em cores claras e decoradas com retratos de ícones da música alternativa. Os espelhos ajudam à ilusão de um espaço mais arejado. Até encontrei uma salinha, ao fundo à esquerda, com mais iluminação e menos som, para quem quiser maior intimismo. Por acaso encontrei-a quando procurava a casa-de-banho, que fica ao fundo à direita.
O bairro circundante é sossegado e longe dos centros barístico-turísticos da capital, o que é sempre uma vantagem para quem vai a este espaço alternativo de propósito sem vontade de ser incomodado por curiosos que lá caem de pára-quedas.
A música em si não mudou. Tudo o que é alternativo tem aqui lugar. Infelizmente, o bar tem de fechar às 4 horas, demasiado cedo, e só abre aos fins-de-semana e vésperas de feriado. Mesmo assim, aconselho uma visita urgente a este novo/antigo local de música alternativa.

quarta-feira, 20 de abril de 2022

Gothzilla - um caso sério

[Originalmente publicado em Gotika

Admito que da primeira vez que ouvi o nome Gothzilla pensei que era uma banda de paródia ou que estavam a brincar comigo. Nada mais injusto. É certo que o nome é cómico, e a banda ficaria mais bem servida com outra versão de The Blackest Darkness of the Bottomless Pit of Doom, mas esta malta tem sentido de humor. Gothzilla vende o que apregoa: gótico puro e duro. “Today Is A Good Day To Die” (álbum de estreia “Catharsis”) foi amor à primeira audição. Do mesmo álbum, “Tightwire” e “Temple Of Sound” bastaram-me uma audição ou duas. Desconhecia completamente esta banda escocesa, que apesar do nome leva o rock gótico muito a sério, e procurei a discografia toda. Do segundo álbum, “The Dark Is Rising”, destaco o tema “Edge Of Forever”, e do terceiro, “Auras”, saliento “The Unknown”. Mas o meu tema preferido é sem dúvida “Ilaria”, em que a voz feminina vem dar aquele tom etéreo que tanto mais me agrada quão mais pesada é a composição.
Se tenho algo a apontar à banda é que por vezes resvala um pouco demais (para o meu gosto) para um registo mais metálico a lembrar Paradise Lost. Nunca é uma crítica comparar alguém a Paradise Lost, mas por mim não resvalava nesse sentido.
Com uma obra já significativa, estes escoceses provam que é possível inovar no rock gótico com boas letras e melodias cativantes, originais, sem copiar ninguém.
Gothzilla foi uma banda que me apanhou de surpresa e que merece ser descoberta com urgência.

Para ouvir (e comprar) aqui:
gothzilla.bandcamp.com


quarta-feira, 23 de fevereiro de 2022

Música gótica − origens − presente − futuro

(Originalmente publicado em Gotika)


Ao longo do tempo, durante a existência do blog Gotika, muita gente me perguntou o que é a música gótica. Também vou dar um link para esclarecer todas as dúvidas, mas antes vamos falar dos precursores da música a que, no período pós-punk, se começou a chamar gótica.
Vem de longe, de muito mais longe do que se pode pensar. Durante o período pandémico e o lockdown, o DJ Cyberpagan foi um dos DJs que começaram a emitir streams no Twitch (para nosso deleite). Este stream que vos trago aqui é uma obra de mestre, reunindo todas ou quase todas as influências que, em conjunto, se cristalizaram mais tarde em algo diferente do punk, entre a vanguarda de uns Bauhaus e a melancolia de uns Joy Division, só para citar alguns dos pioneiros. Esta é uma playlist para conhecedores e amantes do gótico que me surpreendeu por ser tão completa (não me consigo lembrar de uma influência que não esteja aqui representada). Para ouvir, descobrir e reflectir, AQUI.

Mas a partir de agora, quando alguém me perguntar o que é “música gótica”, vou responder com este outro stream da DJ Mortasha Kinski, gótico tradicional que cobre muitos dos grandes em duas horas (fantástico!), e não me perguntem mais vez nenhuma.
AQUI

Mas o gótico não acabou nos anos 80, longe disso. A pandemia teve o efeito positivo de impulsionar uma comunidade internacional no Twitch. Todos em casa e todos juntos, unidos pelo prazer da nossa música.
Passados alguns meses a explorar e descobrir, decidi partilhar os meus streams góticos preferidos, onde se ouve o que de melhor se faz na cena actual (gótica e afins, porque sempre foram os góticos a decidir qual era a música que queriam ouvir, e não o contrário, e quem não compreende isto não compreende nada do movimento). O gótico está muito vivo e em permanente evolução.
Aqui estão os meus preferidos. Espero ver-vos por lá.
Em primeiro lugar quero destacar o único DJ português que emite gótico no Twitch (que eu saiba, e geralmente acompanhado pelo DJ Exploding Boy):


Undead Decadance Party
www.twitch.tv/undead_decadance_party
Descrição: post punk, alternative 80s, goth, darkwave, electro
Festa ocasional. Bandas portuguesas actuais.

DJ Exploding Boy e Dj Yggdrasil

Feita a distinção do DJ da casa, seguem-se, em ordem alfabética:

DJ Acidbitter
www.twitch.tv/acidbitter
Descrição: dark alternative music, goth, post-punk, darkwave, industrial, EBM, synthpop, coldwave, ethereal, shoegaze, dark folk, neoclassical, etc
Este é um stream virado para as novidades que privilegia o vídeo, embora passe clássicos com frequência. O ambiente é bem-humorado e descontraído.




DJ Cyberpagan
www.twitch.tv/dj_cyberpagan
Descrição: goth, death rock, post punk, new & (c)old wave, indie
Assistir a um stream do DJ Cyberpagan pode ter a solenidade de uma aula universitária. Pode ser bastante obscuro, podemos não conhecer a maioria das bandas, mas aprendemos sempre alguma coisa. Até hoje, ainda não aconteceu eu não conhecer uma única banda tocada, mas esteve perto. Aconselho a melómanos que querem descobrir música recente e que não têm medo dos “lados B”. Não aconselho a iniciantes.

 

DJ Cyberpagan e a sua gata Pavučina


Dead Souls Gothic Lounge
www.twitch.tv/dead_souls_gothic_lounge
Descrição: goth rock, darkwave, post punk, industrial, coldwave, minimal synth, death rock, ethereal, neoclassical, shoegaze, witch house, dark 80s and 90s
Possivelmente o stream onde se pode ouvir o gótico / alternativo / etéreo / neoclássico mais obscuro que existe, com tendência igual para as novidades. Não é o único stream que passa post punk sul-americano (incluindo brasileiro) mas é o único onde se passa Mão Morta! Clássicos são raros, e grandes hits muito menos. Recomendo a quem já tenha um bom conhecimento do tipo de música. Não recomendo a iniciantes.


 
Dead Souls Gothic Lounge: DJ Naggaroth e o seu gato Phantom

 

DJ Miz Margo
www.twitch.tv/djmizmargo
Descrição: proto-goth, goth, death rock, dark punk, classic industrial, grave wave, batcave, gothabilly, etc
Miz Margo é uma experiência 100% gótica, quer passe as bandas mais recentes ou os clássicos. Quem gosta de Sisters of Mercy, Fields of the Nephilim, Mission, Christian Death, Cure, Bauhaus, Joy Division, Dead Can Dance, Siouxsie, e os outros todos, é aqui que deve ir primeiro e não será desapontado. Mas conte-se com bandas menos conhecidas e muita música nova.

DJ Miz Margo e o seu gato Squeeks


DJ Mortasha Kinski
www.twitch.tv/mortasha_kinski
Descrição: early 80s, new romantic, post-punk, goth, old industrial and dark wave
Mortasha Kinski passa vários géneros, mas escusado será dizer que prefiro os streams sobretudo inclinados para o gótico e anos 80. Para comprovar, nada como ouvir o link acima.

DJ Mortasha Kinski e o seu morcego (de peluche) Batty

 

The New Order Melb
www.twitch.tv/thenewordermelb
Descrição: gothic, post punk, new wave, industrial, death rock, alternative, dark electronic, the rest
Como o nome indica, este é um stream australiano onde o mundo vai acabar a noite, sábado de manhã, devido à diferença horária. Além do gótico puro e duro e das bandas mais recentes, The New Order Melb faz muitos especiais e tem sempre muitas surpresas. É essencialmente um stream divertido, descontraído e descarado, para os DJs e para nós. A melhor maneira de acabar a sexta-feira ou de começar o fim de semana.

The New Order Melb: DJ Wolf, DJ Anarki e DJ Eris


Xiled Radio
www.twitch.tv/xiledradio
Descrição: industrial, techno, powernoise, goth, shoegaze, synthpop, post-punk, ethereal, IDM, dark ambient, pagan folk, etc
Este é um stream virado sobretudo para novidades onde eu vou para ser desafiada, para ser exposta a música de que geralmente não gosto particularmente tirando alguns temas aqui e ali. O objectivo, como melómana que sou, é conhecer música nova e fora da minha “zona de conforto”, mas bastante dentro do espectro da música alternativa. O stream é muito relaxante e descontraído. 

 
 

Xiled Radio e o seu gato Ben


Estes são apenas os meus streams preferidos. Há muitos mais que eu sigo ocasionalmente e mesmo regularmente, e uma infinidade deles dentro do gótico e do alternativo em geral. Os streams de música foram o melhor que aconteceu durante a pandemia e são o sítio ideal onde descobrir música nova para quem não se contenta com os clássicos.


quinta-feira, 27 de maio de 2021

:: Review :: WORLD GOTH DAY 2021 :: Review ::


Sabiam que 22 de Maio é o Dia Internacional do Gótico? Eu também não. (Para dizer a verdade, só começou em 2009.) Foi preciso a pandemia e assistir a streamings estrangeiros para saber que o World Goth Day é cada vez mais celebrado pelo mundo fora. Mas este ano, 2021, foi definitivamente especial. (Podem tirar-nos os bares, mas não nos tiram o gótico.) Emissão em streaming, 24 horas ininterruptas, com DJ sets de todo o mundo.
Sendo que é a primeira vez que faço uma crítica / reportagem de um evento de streaming, vou-me guiar pelas regras da crítica de concertos (só que cada um em sua casa).
Só soube do evento no próprio dia, e só por acaso, uma vez que recentemente tenho andado mais ligada aos eventos de streaming como há muito tempo não andava (por exemplo, deixei de ouvir rádio/podcasts online há anos), desde que tenha tempo. Consegui acompanhar o evento das 18h às 2 e tal da manhã, e só posso dizer que foi um espectáculo. DJs do mundo inteiro, vários estilos de música (dentro do gótico / alternativo, bem entendido), góticos de todo o planeta a assistir aos eventos e a participar no chat, de início com alguma timidez, depois mais abertamente.
Algo que sempre me impressionou desde o meu contacto inicial com a cena é que não importa onde estejamos, de que país e cultura sejamos originários, da Europa aos Estados Unidos, da Austrália à América do Sul, quando nos encontramos sentimos que já nos conhecemos todos uns aos outros desde sempre. Isto nunca senti em mais lado nenhum nem com mais ninguém. Quando comunicamos uns com uns outros, apesar de desconhecidos, sabemos imediatamente do que o outro está a falar. É extraordinário.
Não se pense que os góticos são uns sisudos, porque houve momentos de humor. A certa altura um DJ de New York (DJ Sean Templar) decidiu discursar, agradecer a presença de tanta gente online, desejando que nos divertíssemos e mostrássemos, com o nosso apoio, as nossas “true colours”:
“OUR COLOURS ARE BLACK” Respondeu alguém no chat.
Eu ri-me porque estava a pensar o mesmo. Cores, quais cores? Maior verdade nunca foi dita.
Quem perdeu este evento não fique triste, todos os DJ sets estão no site
www.death-rock.de
para serem ouvidos e apreciados em
www.death-rock.de/2021/05/playlist-world-goth-day-stream-2021-22-05-2021
e noutras plataformas onde os DJs alojaram as suas prestações (é só procurar porque estão disponíveis).
Adoro estes streamings, quer os nacionais como os internacionais, e espero que não acabem, com ou sem pandemia. Dão muito jeito às pessoas que não podem sair por motivos profissionais ou familiares, ou que não podem viajar. É uma janela para o que se faz lá fora e, acima de tudo, uma maneira de conhecer música nova ao mesmo tempo que se passa um bom bocado.
Da nossa parte, fomos representados pelo DJ Yggdrasil, já um veterano dos streamings internacionais. Espero não perder para o ano e prometo anunciar com antecedência. É preciso é que se faça.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

The Garden of Delight / Merciful Nuns: jardim de delícias

Merciful Nuns

Este é um post há muito devido. Há demasiado tempo que The Garden of Delight e a sua posterior encarnação Merciful Nuns me têm feito as delícias sem que deles tenha falado. Mas não vou contornar a batata quente. O profícuo trabalho de ambos os projectos é "derivativo", como se diz agora quando queremos ser simpáticos. Quem não quer ser simpático poderá chamar-lhe "imitação" de Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy, mas vamos lá mais devagarinho. Há imitação e há homenagem.
Antes de prosseguir vou relatar uma conversa que tive sobre o assunto, aqui há uns anos, com um daqueles ultra fãs de Sisters of Mercy. Conheci-o porque, eu também, era uma ultra fã de Sisters of Mercy. (Entretanto deixei de ser, mas não vem agora ao caso.) Penso que a conversa até não era sobre os Garden of Delight, salvo erro era sobre os Merry Thoughts, mas a questão é exactamente a mesma. Perguntava-lhe:
"Então, o que pensas destas bandas em que o vocalista faz uma voz tão igual ao Andrew Eldritch que quase não se percebe que não é o próprio?"
Ele: "Imitações. Rip-offs. Não interessam."
Eu: "Não sei... Têm boas canções. O estilo pode não ser original mas as canções não são cópias. E pelo menos assumem que são góticos e não fingem que não são. Porque é que não hei-de gostar de bandas que fazem a música que eu gosto de ouvir?"
Ele: "Estilo gótico!... Mas era só isso, no início, o estilo gótico?"
Aqui fiquei sem palavras porque ele já se referia a toda uma envolvente pós-punk que disse muito às pessoas que a viveram. Já não estávamos a falar de música, estávamos a falar de atitudes, rebeldias, tomadas de consciência, posições políticas e filosóficas. Os anos pós-punk, a adolescência. Não quis entrar nesse debate.

Não sou dada a nostalgias, percebo agora que sou mais velha, e nunca consegui ficar agarrada a meia dúzia de bandas preferidas dos anos 80. Nem me bastava! Musicalmente, sou um vampiro. Preciso sempre de mais, e mais, e mais. E devo dizer, depois de mais de metade da minha vida a ouvir música como um vampiro insaciável, que original nem sempre é bom, e certamente não é tudo. Mais vale não original e bom do que original e mau. Nunca assinei um pacto a prometer que sempre ouviria música original, da mesma forma que também não assinei um pacto com as bandas antigas a prometer que não ouviria bandas novas (originais ou não). Tudo isto para dizer que na minha opinião o original, apesar de sempre promissor e bem vindo, está sobrestimado.
Já não tenho preconceitos com bandas derivativas. Sei do que gosto musicalmente, e não vejo nenhuma razão para não ouvir o que gosto. Também não vejo nenhuma razão para que as bandas não dêem aos ouvintes exactamente a experiência que estes lhes pedem, a musical e a outra. A experiência gótica. E nisso, tanto os Garden of Delight como os Merciful Nuns, ambos projectos alemães da autoria do mesmo mentor Artaud Seth, não decepcionam. Isto é rock gótico, isto continua o estilo que Fields of the Nephilim e Sisters of Mercy iniciaram, isto é o que eu quero ouvir. O conteúdo lírico, inspirado no oculto e no ritualismo, invocando anjos, deuses e demónios, inspirado em Crowley e Lovecraft, e ao mesmo tempo espiritualista, entre a contemplação e a sublimação da morte, também me delicia. (Ouça-se a solução sobrenatural de "In Between Worlds", Merciful Nuns, "she found a way to wander forever in between worlds" e compare-se com "Emma", The Sisters of Mercy*, "to find her lying still and cold and upon my bed", em que a tragédia se esgota na crueza da realidade.) 
Os amantes do sobrenatural vão gostar muito destes prazeres proibidos, tabus, que apenas apelam à alma gótica.

Garden of Delight "The Darkest Hour" 2007

Fica o alerta, quem viu relata que os Merciful Nuns são uma força da natureza ao vivo. Acredito plenamente. Assim me seja dada a oportunidade de testemunhar.



*Pequena adenda: Depois de escrever este post ocorreu-me acrescentar que "Emma" não é um original dos Sisters of Mercy, mas sim dos Hot Chocolate, uma banda soul britânica. Mesmo assim, achei interessante fazer a comparação porque a escolha de uma versão também fala pelo seu intérprete.
(A reboque desta curiosidade, ouvi pela primeira vez o original dos Hot Chocolate, um êxito de 1974. Vale a pena ver o vídeo.)




sábado, 2 de janeiro de 2021

Siglo XX, ilustres desconhecidos


Os Siglo XX são uma banda belga formada em 1978. Uma banda que só descobri graças, mais uma vez, ao festival Extramuralhas do ano passado. Não posso dizer que nunca tinha ouvido falar deles, porque afinal até tenho um tema dos Siglo XX na compilação “Fuck Yeah Goths Mix One” (2010), mas simplesmente não lhes tinha prestado a atenção que merecem. Desde o Extramuralhas 2019, que lhes descreve o género musical como Coldwave, Gothic Rock, Darkwave e Post-Punk, fui finalmente aprofundar a discografia desta excelente banda. E fiquei perplexa de como é que me passaram ao lado este tempo todo. Mas mais vale tarde do que nunca.
Um dos motivos para isto, suspeito, é que a música dos Siglo XX não é exactamente dançável (pode ser, mas é mais para ouvir do que para dançar, no meu gosto pessoal) e passa muito discretamente no meio de outras bandas do mesmo género. Não é banda em que se repare numa disco ou bar, por exemplo, enquanto se conversa com amigos.
Às vezes os temas lembram-me Joy Division, outras Bauhaus, outras ainda Siouxie and The Banshees, e Sisters of Mercy e Nick Cave do início, e até Dead Can Dance do primeiro álbum. Como é que é possível perdê-los?
Os Siglo XX fazem um som subtil e envolvente, com letras fortes e sombrias, que merecia ser mais conhecido. Recomendo que os vão já descobrir se eles também vos passaram ao lado.