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terça-feira, 7 de junho de 2022

Dead Can Dance ao vivo no Coliseu de Lisboa (2.Junho.2022)

(Originalmente publicado em Gotika.)

As minhas desculpas pela má qualidade das fotos. O meu telemóvel nem sequer tem zoom.


Quinta-feira, 2 de Junho. Coliseu de Lisboa. Os Dead Can Dance dão o segundo concerto na capital, último de uma digressão de dois meses. É a primeira vez que vejo os Dead Can Dance em concerto, a única das minhas bandas preferidas que ainda não tinha visto ao vivo. (Com a funesta excepção de Joy Division, que nunca verei.)
Os sonhos são irreais e irrealistas. São intimistas e emocionais. Este texto não pode fugir-lhes.
Foi um sonho concretizado. Um sonho que durante bastantes anos julguei nunca realizar. Primeiro, porque a banda se separou e Lisa Gerrard e Brendan Perry se dedicaram a projectos a solo. Segundo, depois da reunião da banda, que já tinha actuado em Portugal nesta nova encarnação, devido a questões profissionais que não me permitem assistir a concertos como gostaria. Por fim, devido à pandemia, que parecia nunca mais acabar.
Já tinha comprado o bilhete e ainda não acreditava que era real. Só acreditei na sala do Coliseu, quando Lisa Gerard começou a cantar “Yulunga”. Era real, estava acontecer. No dia seguinte questionei-me se aconteceu de facto. Os sonhos também parecem muito reais quando estamos a sonhá-los.
Tenho a certeza de que a culpa foi minha, mas saí do Coliseu insatisfeita, como se nem tivesse lá estado. O concerto foi curto. Uma hora e vinte minutos e Brendan Perry disse-nos “Obrigado. Boa noite” em português correcto, e a banda preparou-se para sair. É claro que voltou, para mais um encore de 20 minutos. Uma hora e quarenta minutos e o concerto acabava. Brendan Perry disse que era o último da digressão e que estavam cansados. Talvez tenha sido isso? Ou talvez eu me tenha fartado de esperar pelo sonho de ver os Dead Can Dance e os tenha envolto numa expectativa irrealista que não pode jamais rivalizar com a minha relação íntima e inexprimível com a música que amo desde que a conheço, há tantas décadas que nem vou dizer quantas?
Lisa e Brandan revezaram-se, uma canção cada. Não me posso queixar da falta de êxitos. A banda percorreu a maior parte dos álbuns e todas as suas fases de evolução, e as boas canções são tantas (não existe uma canção má!) que se fossem tentar tocá-las todas ainda lá estávamos. A plateia encontrava-se repleta. Já as bancadas, não. Talvez pelo preço dos bilhetes, talvez por ser o segundo concerto em dias consecutivos, talvez ainda medo da pandemia? A verdade é que já vi o Coliseu a abarrotar muitas vezes, e não foi o caso. 

Mas o público que compareceu sabia ao que ia. Algumas palmas no início de canções mais conhecidas eram rapidamente silenciadas para não se perder uma nota do som, uma sílaba da voz. Em momentos, quando Lisa cantou, todo o Coliseu ficou em silêncio. Mesmerizado, como na canção. E não faltaram as canções hipnotizantes: “Yulunga (Spirit Dance)”, “The Host of Seraphim”, “Sanvean”, “Persian Love Song”, “Black Sun”, e, a minha preferida das preferidas, “Cantara”. Já tinha ouvido os Dead Can Dance em concerto numa fase de maturidade da banda e sabia o que esperar, mas nunca deixo de ficar impressionada com o poder transcendente daquela voz. Já não é a jovem Lisa que cantava “Cantara” em “Within The Realm Of A Dying Sun”. A voz encorpou, engraveceu, mas continua a ser a voz da Deusa. A interpretação de Brendan Perry está praticamente na mesma, quase nem se nota a idade.
Então, o que é que eu queria afinal? Mais canções? E quais, se há tantas? “The Cardinal Sin”? “Xavier”? “Summoning of the Muse”? “The Arrival And The Reunion”? “As The Bell Rings The Maypole Spins”? “Nierika”? Impossível escolher.
O que eu queria mesmo era ficar arrepiada, era sentir calafrios pela espinha abaixo. Já ouvi quem se referisse a um concerto dos Dead Can Dance como uma experiência místico-religiosa, já ouvi chamar-lhe ritual xamânico. Infelizmente, não senti a magia que queria sentir. Sim, abanei a cabeça, bati palmas, dancei na cadeira, não consegui tirar os olhos do palco. Mas a hipnose nunca me arrebatou, nunca me levou para o mundo fora do mundo onde costumo ir quando ouço Dead Can Dance em casa nos “dias certos”. Culpa minha, volto a dizer. Talvez a minha relação com a música, tão idealizada e adorada durante tanto tempo que já é só minha, nunca consiga rivalizar com a realidade dos intérpretes a tocá-la à minha frente. Mas não é verdade que as grandes obras ganham vida própria, que fogem aos criadores?
Saí com a sensação de “dever cumprido”, a última banda que me faltava, a voz da Deusa a ecoar-me na memória. Devia-lhe essa reverência e prestei-lha. Mas queria mais, queria arrepios, e isso não aconteceu.
Se esta review não tivesse levado o tom intimista que lhe quis dar, diria apenas que foi um concerto soberbo, impecável em voz e som e 100% profissional, auxiliado por instrumentistas de cinco estrelas, que só pecou por ser curto. O que eu queria, a transcendência, o sonho em vigília, o arrebatamento, depende mais do ouvinte do que do intérprete. É preciso que o ouvinte se deixe arrebatar. Se calhar não era o “dia certo”.

 

segunda-feira, 30 de maio de 2022

Agenda

CONCERTOS

Dead Can Dance
Quarta 1 de Junho, Coliseu, Lisboa
Quinta 2 de Junho, Coliseu, Lisboa 

 

EVENTOS

High Voltage
Sexta 3 de Junho, Noir Clubbing, Lisboa

 

Alt. Clubbing (Alternative Clubbing Sounds)
Sábado 4 de Junho, Noir Clubbing, Lisboa 

 

sábado, 2 de janeiro de 2021

Siglo XX, ilustres desconhecidos


Os Siglo XX são uma banda belga formada em 1978. Uma banda que só descobri graças, mais uma vez, ao festival Extramuralhas do ano passado. Não posso dizer que nunca tinha ouvido falar deles, porque afinal até tenho um tema dos Siglo XX na compilação “Fuck Yeah Goths Mix One” (2010), mas simplesmente não lhes tinha prestado a atenção que merecem. Desde o Extramuralhas 2019, que lhes descreve o género musical como Coldwave, Gothic Rock, Darkwave e Post-Punk, fui finalmente aprofundar a discografia desta excelente banda. E fiquei perplexa de como é que me passaram ao lado este tempo todo. Mas mais vale tarde do que nunca.
Um dos motivos para isto, suspeito, é que a música dos Siglo XX não é exactamente dançável (pode ser, mas é mais para ouvir do que para dançar, no meu gosto pessoal) e passa muito discretamente no meio de outras bandas do mesmo género. Não é banda em que se repare numa disco ou bar, por exemplo, enquanto se conversa com amigos.
Às vezes os temas lembram-me Joy Division, outras Bauhaus, outras ainda Siouxie and The Banshees, e Sisters of Mercy e Nick Cave do início, e até Dead Can Dance do primeiro álbum. Como é que é possível perdê-los?
Os Siglo XX fazem um som subtil e envolvente, com letras fortes e sombrias, que merecia ser mais conhecido. Recomendo que os vão já descobrir se eles também vos passaram ao lado.

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Dead Can Dance
Quinta 23 e sexta 24 de Maio, Aula Magna, Lisboa



Monitor : IV Minimal Wave & Post-Punk International Rendez-Vous
Potochkine, Talk To Her, Structures, SDH, Tango Mangalore, Marta Raya
Sábado 25 de Maio, Stereogun, Leiria


 
EVENTOS

Metropolis Party
Sexta 24 de Maio, Metropolis, Lisboa 


Synth.Etics
Sábado 25 de Maio, Metropolis, Lisboa



INDIEpendent Sessions
Sábado 25 de Maio, Club Noir, Lisboa
 




quinta-feira, 30 de maio de 2013

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Dead Can Dance
Terça 28 de Maio, Coliseu, Lisboa
Quinta 30 de Maio, Optimus Primavera Sound, Porto 


Peter Murphy (Mr. Moonlight Tour Bauhaus 35 anos)
Quinta 30 de Maio, Coliseu, Lisboa


Nick Cave & the Bad Seeds
Quinta 30 de Maio, Optimus Primavera Sound, Porto


Swans
Sexta 31 de Maio, Optimus Primavera Sound, Porto


Mão Morta
Sexta 31 de Maio, Optimus Primavera Sound, Porto 


EVENTOS

Noite Vanguarda
Sexta 31 de Maio, Metropolis, Lisboa



Classix Night
Sexta 31 de Maio, Club Noir, Lisboa


quinta-feira, 23 de maio de 2013

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Mick Harvey [ex-Bad Seeds]
Quinta 23 de Maio, Centro Cultural de Belém, Lisboa


Anti Clockwise + Gazua + Ciro
Sexta 24 de Maio, Caixa Económica Operária, Lisboa

 

Dead Can Dance
Terça 28 de Maio, Coliseu, Lisboa
Quinta 30 de Maio, Optimus Primavera Sound, Porto 


EVENTOS

Metropolis Free Party
Sexta 24 de Maio, Metropolis, Lisboa 



Alternative 80's Party
Sábado 25 de Maio, Club Noir, Lisboa 

 

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Agenda

CONCERTOS

Dead Can Dance
Quarta 24 de Outubro, Casa da Música, Porto



David J.  
(ex-Bauhaus/Love&Rockets)
Segunda 29 de Outubro, Ritz Club, Lisboa
Terça 30 de Outubro, States, Coimbra
Quarta 31 de Outubro, Hard Club, Porto



EVENTOS

Metropolis Free Party
Sexta 26 de Outubro, Metropolis, Lisboa


O Turno da Noite + Eyes Wide Shut 
Sexta 26 de Outubro, Club Noir, Lisboa 




Indie Sessions
Sábado 27 de Outubro, Metropolis, Lisboa 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Agenda

CONCERTOS

Dead Can Dance
Quarta 24 de Outubro, Casa da Música, Porto



EVENTOS

Metropolis Free Party
Sexta 19 de Outubro, Metropolis, Lisboa


Graveyard X-Press
Sábado 20 de Outubro, Club Noir, Lisboa




segunda-feira, 12 de julho de 2010

Peter Murphy (Bauhaus) zangado com Brendan Perry (ex-Dead Can Dance)

Via Sideline:

Open letter war between Peter Murphy (Bauhaus) and Brendan Perry (Dead Can Dance)

It seems the love between Peter Murphy (Bauhaus) and Brendan Perry (Dead Can Dance) is definitely over. Murphy posted an open letter to Brendan Perry on his Facebook page slamming him for his "pretentious musical tourism" and threatening to "take no hesitation in suing your bad ass". Theopen letter is an answer to earlier statements by Perry. The Dead Can Dance songwriter had commented the collapse of a planned joint 100-date world tour last year saying:

"The truth of the matter is that PM [Peter Murphy] wasted months of my time, energy and effort. It was he, after all, who invited me to tour with him and then reneged on our agreement not once, not twice but three times... can you imagine my frustration? ... I would not have minded so much if he had shown some remorse by way of an apology, this would have been the very least I could expect from such an honorable and 'spiritual' man. Right? Well wrong... When I last wrote to him to enquire how he was and what the problem was, he basically told me to mind my own business... Cuckoo!"

O resto AQUI.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

Brendan Perry (vocalista de Dead Can Dance)
Segunda 15 de Março, Theatro Circo, Braga


EVENTOS

Metropolis Night + Bizarra Locomotiva After Party
Sexta 19 Março, Metropolis, Lisboa




Underground Revolutions
Sexta 19 Março, Heavens, Porto



Decades
Sábado 20 de Março, Stop, Porto



Graveyard Sessions
Sábado 20 de Março, Santiago Alquimista, Lisboa



Heavens, programa de sábado
Sábado 20 de Março, Heavens, Porto

quinta-feira, 11 de março de 2010

Agenda [actualizado]

CONCERTOS

The Cranberries
Quarta 10 de Março, Campo Pequeno, Lisboa


Brendan Perry (vocalista de Dead Can Dance)
Domingo 14 de Março, Santiago Alquimista, Lisboa
Segunda 15 de Março, Theatro Circo, Braga


Spandau Ballet
Domingo 14 de Março, Pavilhão Atlântico, Lisboa


EVENTOS

Bouquet of Dreams
Sexta 12 de Março, Parke, Porto



Neon Nights
Sexta 12 de Março, Metropolis, Lisboa



Flashback
Sexta 12 de Março, Pitch, Porto



The Prodigy Bros: Tributo a Prodigy e Chemical Brothers
Sábado 13 de Março, Metropolis, Lisboa



Cabaret Seixal: "Spoken Word para almas exigentes"
Sábado 13 de Março, Antigos Refeitórios da Mundet, Seixal


Heavens, programa de sábado
Sábado 13 de Março, Heavens, Porto