segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Festival Entremuralhas, os concertos - Uxu Kalhus, Collection D’Arnell Andrea, Ordo Rosárius Equilíbrio e Covenant.

Leiria, 28 de Agosto de 2010


Não tendo assistido a Uxu Kalhus, esta análise ao segundo dia apenas se reflecte sobre três dos quatro concertos.


Collection d’Arnell Andrea

Chegados ao segundo dia, o palco Alma abre com Collection d’Arnell Andrea. Apesar do mentor musical da banda ser Jean-Christophe d'Arnell, a voz e presença em palco da simpática e deliciosamente serena Chloé St. Liphard é o seu melhor trunfo, jogado com mestria tanto nos já dez álbuns de originais como nas prestações ao vivo.






Completado por uma projecção vídeo que conjugou de forma harmónica (e felizmente não literal) o universo musical do grupo, o palco pareceu por vezes pequeno para os seis elementos oferecerem a quem assistiu, um alinhamento de carreira, bem pensado para um concerto de estreia. Foi impressionante em alguns temas ouvir aquela voz delicada no meio de uma muralha sonora, quase tão impressionante como a aparente ausência de esforço de Chloé aquando das mudanças de tom. Se Panarella canta como quem chora, Liphard canta como quem respira.
Na memória ficam “Verdun” (“Villers-aux-vents”), que poderão ver em vídeo e “Un Matin de Septembre” do álbum “Au Val des Roses”. Fica também a sensação de que os franceses conseguiram agarrar com este concerto mais uns fãs e a ideia do que poderia ser um concerto fora do âmbito de um festival.


Ordo Rosarius Equilíbrio


Tendo perdido o primeiro concerto em Portugal e olhando a carreira de estúdio destes suecos, a expectativa para este concerto era enorme, talvez por isso a desilusão se tenha instalado, apesar do concerto ter melhorado à medida que decorria, pareceu-me claramente que a coisa não correu tão bem como poderia: desde Tomas Pettersson não ter usado, de todo, o poder vocal que possui, às entradas algo bruscas dos artifícios electrónicos em algumas músicas, a certos comportamentos estranhos em palco, pareceu-me a dada altura que Pettersson queria antecipar o fim do concerto.




Ainda assim quem tem boas musicas nunca desilude completamente - a projecção vídeo ao longo da actuação seduziu e compensou um pouco a falta de intensidade em palco, que apenas se revelou perto do fim, aquando de “Three is na orgy, four is forever”, música que me fez cantarolar e encerrou da melhor maneira aquele que, contra todas as expectativas, veio a ser um concerto morno.


Covenant

E eis que nos dirigimos ao Palco Corpo, apesar de lhes reconhecer qualidade, as minhas expectativas para o concerto destes suecos não era grande. Reconhecidos como uns dos melhores representantes do EBM, era altura dos Cybergoths e demais amantes da electrónica saírem do covil e dar ao corpo aquilo que ele precisa.
Com uma presença simpática e bastante energética a banda desfilou, para gáudio do público presente, tudo aquilo que os fez. Eskill, senhor de excelente voz e de postura em palco na linha dum one-man-performer, entusiasmou e deixou-se entusiasmar naquele que creio ter sido o melhor concerto electrónico do festival, digo isto, não por conhecimento próprio mas pela reacção entusiasta do publico.
Mais uma vez, reforcei a protecção da Alma durante todo o concerto, ao mesmo tempo que perdia de vez a esperança de exibir o Corpo.




Em resumo, foram dois dias de boa música com excelentes prestações, para um público que aparentemente, mereceu todo o vosso esforço. À Fade in, o reconhecimento de um bom trabalho na gerência dum festival com 6 possíveis cabeças de cartaz e a esperança de um até pró ano!


Fotografias e vídeos tirados pela Isabel e por mim.

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