quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Crónica dum fim-de-semana Entremuralhas - 31 de Julho de 2011


À medida que o festival se aproximava do fim, os dias começaram cada vez mais tarde, havia porém uma missão a cumprir antes da ultima subida ao castelo: reencontrar a esplanada junto ao lis onde no ano passado bebi um copo simpático ao som dos Joy Division. Após algumas voltas e um merecido café duplo, lá encontramos o ex-libris rock, à beira lis cujas mesas ostentavam capas de álbuns como "Rocket to Russia" dos Ramones, ou "White Light/White Heat" dos Velvet Underground. A banda sonora este ano não esteve tão bem e foi ao som de Doors que pedi: "Olá, boa tarde, uma imperial se faz favor."
Repostos os líquidos e atenuado o cansaço que se foi acumulando nestes dias, enceto o caminho de regresso ao castelo e a um alinhamento que deixava a sensação de preparar o publico para um encerramento explosivo. O dia começou nos Passos Novos com a apresentação do Vol.II da BD"As Incriveis Aventuras de Dog Mendonça e Pizza Boy" por um desajeitado mas bastante simpático Filipe Melo. 
Posto isto era tempo de ver "William S. Burroughs: A Man Within", documentário sobre a vida de William S. Burroughs, através de imagens raras na sua maioria de produção amadora que Yoni Leyser foi colectando. Do filme fica, mais uma versão da sua vida, vivida fora dos cânones ditos normais e a impressão desconfortável da utilização da imagem do Sr. como meio de promoção: a certa altura fica-se com a ideia que bandas que queriam ser bandas deviam ser vistas com ele. Estranhos os caminhos da fama, menos estranhas seriam no entanto, as palavras ditas após o filme pelo realizador, que após os agradecimentos e a referência à edição portuguesa do DVD pela Fade In, bastante simpático e comunicativo o apresentou de uma forma muito geral e sem grandes pormenores. Aproveito este ponto para reflectir um pouco sobre as conferências, embora mais interessantes que o ano passado, poderiam ainda assim ter ganho mais não fosse o receio, pelo menos aparente, dos oradores em versar sobre os aspectos mais técnicos do trabalho que apresentam e não esperarem pelas perguntas mais técnicas como foi o caso de Yoni Leyser.

Narsilion, Igreja de Nossa Sra. Da Pena

Terminada que estava a conferência, mais uma vez o destino era A Igreja da Nossa Sra. Da Pena, cheguei já com o espaço lotado de publico para ver e ouvir os catalães Narsilion. 
De sonoridades neoclássicas e inspiração medieval, Lady Nott e Sathorys Elenorth recriaram sonoramente um ambiente de leveza e levaram a assistência numa viagem por territórios luminosos em rituais pagãos. Canções como "En La Memoria del Vent" e "The Voice of Sin" destacaram-se das demais. De referir também, a presença de dois membros que haviam estado em palco no primeiro dia com os Sol Invictus e Cecília Bjargo que haveria de reaparecer no concerto dos Arcana, esta promiscuidade cooperante que seria mais tarde revista aquando do concerto dos suecos, também se revela interessante e neste caso trouxe mais poder à actuação destes espanhóis.   

   


Trobar de Morte, Palco Alma

Se os Narsilion nos deixaram num qualquer lugar luminoso, cabia aos Trobar de Morte, recomeçar o caminho de regresso às trevas e assim, morosamente como a luz do dia que entretanto desaparecia, revisitaram os trabalhos editados escolhendo um alinhamento em que "Los Duendes del Reloj" e "Aqualuna" se destacaram tanto pela melodia em si como pela bela voz de Lady Morte. Musicalmente fortes e com uma presença interessante em palco aqueceram e bem o publico.



Arcana, Palco Alma

Foi com agrado que vi subir Peter Bjargo ao palco, os Arcana são talvez a primeira ou uma das primeiras bandas neoclássicas que aprendi a gostar, a voz grave e ponderada do vocalista e a forte e educada voz de Ann-Mary abriram as portas da alma às trevas com "The Chant of the Awakening" para que ao longo do alinhamento fossemos encantados pelas melodias e voz de sereia. Acompanhados em palco pelos membros dos Narsilion e com a simpática Cecília Bjargo como segunda voz, desfilaram o frio sueco em melodias negras tão negras que se deveriam ouvir de olhos fechados, não fosse o caso de estarmos a presenciar um concerto único, estreia em terras lusas.
Do alinhamento os meus ouvidos agradecem profundamente "Like Statues in the Garden of Dreaming". Destaco também a inclusão de duas musicas do projecto a solo de Peter Bjargo.



Diary of Dreams, Palco Corpo

De alma saciada e com o negrume a pairar, no peito já se sentia um aperto, símbolo de um qualquer sentimento de antecipação de fim e que fim nos estava reservado.
Apesar de esta ser a quarta actuação da banda em Portugal, era para mim uma estreia e uma estreia que ansiava.
A voz particular de Adrian Hates na musica dos Diary of Dreams é, não é novidade para ninguém, ideal ao vivo, de timbre peculiar a fazer lembrar de quando em vez a de Eldricht e aliada ao forte componente de baixo e às guitarras a arranhar tornou este concerto na melhor despedida possível do festival. 
No meio do Setlist não faltaram "Wedding", "King of Nowhere", "She and Her Darkness", e um "Traumtanzer" em encore a acompanhar já a descida do castelo, fez com que, no peito, se formasse um buraquinho que se irá alimentar durante um ano de todas as expectativas em relação ao próximo festival.

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sábado, 27 de agosto de 2011

Revista Abismo Humano nº 9




Já está online a edição nº 9 da Revista Abismo Humano. A ser lida aqui.

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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Agenda [actualizado]

EVENTOS

The Final Hour
Sexta 26 de Agosto, Metropolis, Lisboa




Retro Refresh Sessions
Sexta 26 de Agosto, Club Noir, Lisboa




Portas e Penedos
Sexta 26 de Agosto, Tuatha, Lisboa




Bouquet of Dreams
Sexta 26 de Agosto, Parke, Porto




O Turno da Noite
Sábado 27 de Agosto, Club Noir, Lisboa




Ritual Synergy
Sábado 27 de Agosto, Plano B, Porto



Tributo a Prodigy
Sábado 27 de Agosto, Metropolis, Lisboa

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quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Agenda [actualizado]

EVENTOS

Unlimited 90's
Sexta 19 de Agosto, Metropolis, Lisboa





II Cyberchaos Gothic Night
Sábado 20 de Agosto, Beat Club, Leiria




Metropolis Free Party
Sábado 20 de Agosto, Metropolis, Lisboa





Vinyl Audio Narcotics
Sábado 20 de Agosto, Club Noir, Lisboa

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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Agenda [actualizado]

EVENTOS

Scorpion vs Flower
Sexta 12 de Agosto, Metropolis, Lisboa





Noite Alternativa
Sexta 12 de Agosto, Club Noir, Lisboa




Back to the 80's
Sábado 13 de Agosto, Metropolis, Lisboa





Ground Control
Sábado 13 de Agosto, Club Noir, Lisboa

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Crónica dum fim-de-semana Entremuralhas - 30 de Julho de 2011

Sábado começou pela hora de almoço e não demorou muito para que a mente se inundasse de expectativa pelo dia que se apresentava, Brainderstorm, Sieben, Rosa Crvx e ESC que substituíram os belgas Suicide Commando após desistência por razões de saúde.

A caminho do castelo, paragem para um café algures na zona histórica – "sem açúcar mas acompanhado por uma brisa", foi o conselho experiente de quem estava atrás do balcão, que segui confiante e obediente, não me arrependi e aconselho vivamente. Envolto na outra "brisa" que já se fazia sentir, a meteorológica, rumei veloz ao castelo, mas acabei por entrar no Passos Novos, repleto de público, atrasado e com a troca de ideias sobre a conferência quase no fim, mas ainda a tempo de assistir à leitura de trechos do livro "Uma casa na escuridão" pelo autor, José Luís Peixoto, muito bem acompanhado pela guitarra do Miguel Nicolau. O tom da sua voz, enquanto relatava o confronto com a morte de um ente belo e querido, soou-me a angústia sarada e foi nessa cadência que me embalei até ao primeiro concerto, já que a curta do filme "barão" do Edgar Pêra montada especialmente para esta mostra havia de ficar para outra altura, problemas técnicos impediam o visionamento – um pequeno percalço que se transformou na oportunidade para os presentes de chegarem a tempo ao início da primeira actuação musical do dia.

Brainderstorm, Igreja de Nossa Sra. Da Pena

As ruínas da Igreja de Nossa Sra. Da Pena revelaram-se, já o havia dito, num cenário perfeito para os concertos mas, acrescento agora, também pequeno demais para albergar todos aqueles que neste dia e no próximo quiseram assistir aos concertos.
Não podiam os leirienses Brainderstorm, querer melhor estreia ao vivo, espaço completamente lotado por um público que não regateou aplausos e algum carinho a uma actuação, por vezes excessivamente performativa mas musicalmente competente e bastante interessante.



Com a moral em alta pela anterior revelação havia que preparar o estômago para a seguinte e foi aqui, enquanto esperava, que vi pela primeira vez um elemento da segurança em acção: com todo o cuidado, expulsava um elemento que decerto se havia infiltrado no espaço sem bilhete, ao colo. É de ressalvar quando num festival a preocupação da segurança vai para animais de quatro patas.


Sieben, Palco Alma



Assim e de regresso ao palco Alma, escolhi o lugar que achei ideal para assistir ao concerto, que tinha anteriormente apostado como a surpresa do festival.
Sieben, projecto de Matt Howden, apesar de não ser novidade em palcos lusos era uma estreia para mim. Sendo aparentemente, o artista de cartaz mais fora de cena, assumiu o facto como um incentivo e brindou o público com um dos mais memoráveis concertos deste fim-de-semana.
Ao longo da actuação, Sieben, sempre bem-disposto, irrequieto e arco em riste, mostrou-nos o processo de construção duma canção com recurso apenas a um violino, pedal de loop e uma destreza incomum. Do todo, destaco canções como "We Wait for Them", "Ogham Inside the Night" ou mesmo "Build You a Song" que davam tom a uma melancolia sempre presente, no entanto, seria a impressionante cover de "Transmission" dos Joy Division que roubaria a grande ovação da noite. O artista menos consensual do cartaz acabava de dar um excelente concerto que foi de facto surpreendente. Mas era na banda seguinte que depositava todas as espectativas e esperava que consagrasse tudo o que eu imaginara deles. Assim, qual groupie, mantive-me no mesmo lugar enquanto os aguardava.





Rosa Crvx, Palco Alma


Absolutamente ritualistas: uma dançarina à boca de palco fazia a introdução com os sons que o movimento do seu corpo produzia através de um mecanismo chamado Conselho de estudos (Planches d’études) e um a um, cada elemento dos Rosa Crvx entrava em palco dando um início faseado a "Adorasti" que, já com Olivier Tarabot em palco, tomava finalmente corpo e abria a porta a cerca de uma hora e meia de intensos rituais negros.
Oriundos de Rouen, estes franceses são conhecidos por um sentido performativo/ritualista bastante forte e também por um número vasto de máquinas que trazem à memória o imaginário de Leonardo Da Vinci, no palco encontrava-se uma bateria automática (BAM - Batterie automate midi) no lado oposto a um impressionante carrilhão de sinos.
Durante o alinhamento, "Invocation" com duas dançarinas no meio do público a movimentar coordenadamente duas bandeiras e a intensa "Eli-Elo" acompanhada pela já famosa Dança da terra, fizeram as delícias dos presentes, mas pérolas como "Omnis qui Descendunt", "Helhel" e "Morituri" acompanhada pela projecção de parte da performance da Gaiola deixaram-me com a sensação que estava a presenciar um concerto daquele que será, provavelmente, o grupo de artistas que melhor representa o género musical gótico e seguramente o melhor grupo gótico francês da actualidade.
O concerto acabava intenso, como os concertos devem ser, com a referida "Eli-Elo (Danse de la Terre)", sem direito a encore, mas percebe-se: um concerto de Rosa Crvx tem uma solenidade, passo a comparação, duma missa e não há memória de alguém pedir um encore a um padre.





Eden Synthetic Corps, Palco Corpo

A desistência dos Suicide Commando, já referida no início desta crónica deu, aos Eden Synthetic Corps, a hipótese de serem cabeças de cartaz e estes agarraram-na. O género musical manteve-se, o Electro-industrial destilado pelos belgas é a inspiração dos ESC, por isso a intenção de conscientemente rumar à residencial, mesmo sabendo que tal facto implicava colocar em risco a ida à after party no Beat Club, foi assumida. Deste concerto, e das três músicas que presenciei, resta-me dizer que os ESC pareceram-me muito bem em palco e a julgar pelo público a ter uma boa receptividade.

A meio caminho, há que referir, ainda consegui trocar uns miados com o sujeito de quatro patas expulso anteriormente do castelo. Mostrou-se muito afável e nada ressentido com a atitude do segurança.


Um agradecimento especial à Isabel pela ajuda prestada e pelas fotografias.

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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Crónica dum fim-de-semana Entremuralhas - 29 de Julho de 2011


Pela segunda vez entremuralhas e tanto o castelo como a cidade de Leiria se tornam familiares. É impossível deixar de se sentir bem acolhido nesta cidade quando a Sra. da residencial nos reconhece à chegada.
Apesar de ser uma cidade relativamente pequena há sempre coisas a descobrir. O fim-de-semana deste evento vai sempre além dos concertos. Desta vez, deixo uma nota para exposição colectiva "Nada em comum". Formalmente heterogénea, como o nome indica, mas coerente na vontade de experimentação quer nos médios usados quer na forma como se apresentam instalados. Uma boa mostra de exemplos do que ultimamente se tem feito em arte contemporânea em Portugal, onde artistas jovens e consagrados se apresentam lado a lado sem se ofuscarem ou anularem entre si.

A inevitabilidade de comparação entre a primeira edição e a presente leva-me a ter de referir que este ano a organização se superou, quer em quantidade quer em qualidade no cartaz. Apesar deste ter sido divulgado antes da situação económica se fazer sentir de forma tão adversa, acrescentar mais um dia ao certame foi assumir um risco que o publico agradeceu, tal como agradeceu o aproveitamento doutros locais do castelo, as ruinas da Igreja de Nossa Sra. da Pena para concertos e o recato do lugar das projecções de filmes mudos. Resta repetir os parabéns à Fade In.
O ambiente do festival equiparou-se ao ano passado no melhor dos sentidos: foi povoado de pessoas respeitadoras, dos outros e dos espaços históricos onde nos encontrávamos.
Talvez devido à escassez de eventos do género, o Entemuralhas já criou raízes entre a comunidade alternativa/gótica, não só portuguesa - não se estranhou e facilmente se entranhou!

Assim, o primeiro dia reservava ao público presente uma conferência de Pedro Ortega, historiador de arte e curador da semana gótica de Madrid, numa dissertação curiosa e bastante interessante sobre a relação e presença do Absinto nas mais variadas formas de arte, e claro está, no movimento gótico. Gostaria de ter visto mais e melhores exemplos de obras de arte que, quer na forma quer na interpretação, poderiam ser relacionados com o imaginário gótico, aquando da introdução ao género, mas tal facto também se desculpa pelo ambiente mais descontraído de um festival e pelo facto de neste contexto nunca se saber muito bem que publico estará a assistir. Ainda assim Ortega tornou o assunto interessante e a assistência embora escassa, talvez por ser o primeiro dia e a maior parte ainda estar a chegar à cidade, não arredou pé.
Lado a lado com o absinto estava a exposição "Entremundos" de Sílvia Patrício, que nos apresentou duas mostras do seu trabalho, que ainda pode ser visto até ao fim deste mês. É um trabalho marcadamente narrativo, que parte dum imaginário infantil mas que apresenta questões que apenas um adulto poderia propor, por aqui, lembram-me alguns trabalhos de Paula Rego. As telas da primeira sala são as mais recentes e foram feitas especialmente para este evento, as composições incluem alguns membros da Fade In em situações oníricas e marcadamente mais negras. Deixo o destaque para esta sala, já que ilustra uma familiaridade e uma sintonia de esforços com que estes eventos são feitos. A segunda sala apresenta trabalhos mais antigos que ajudam bastante a compreender o trabalho desta artista, de uma forma mais global.

Com os neurónios devidamente saciados, restava a alma e o corpo. Rumei à Igreja da Pena, onde cheguei já com a actuação das Ignis Fatuus Luna a meio.
O facto de não ver a actuação desde o início fez com que perdesse alguma possível narrativa que a actuação tivesse, por isso não me irei alongar em considerações e apenas dizer que acabei por considerar o que vi, uma mostra da excelente capacidade de execução das artistas – terei que aguardar uma próxima actuação para poder tecer alguma consideração de forma mais justa.

Algum tempo depois, após o ritual do porco e de sangria na mão, esperava os concertos que me iriam aquecer e fazer esquecer a falta de um casaco.

Irfan, Palco Alma



Apresentados como excelentes representantes do género e génio musical de que os Dead Can Dance são, em minha opinião, o expoente máximo, os búlgaros Irfan tinham a pesada tarefa de fazer corresponder em palco os adjectivos utilizados para os descrever.
Ao longo de uma hora, Kalin Yordanov, Denitza Seraphinova e companhia levaram-nos pela mitologia Balcã, ventos e sons de uma outra Europa, tantas vezes distante. A voz límpida de Denitza, misteriosa e feminina, foi muito bem complementada pela voz grave de Kalin, que além de bom músico se mostrou um excelente comunicador ao partilhar connosco, nas introduções às músicas, um pouco das histórias que servem de inspiração às mesmas – um pouco de "conhecimento" que, de resto, é o significado de Irfan em Árabe.
Do alinhamento destaco "Hagia Sophia", "In The Gardens of Amida", "Oktrovenie" e "Svatba" (Cover dos Dead Can Dance), porque parecia mal destacar todas e em jeito de conclusão, digo que a comparação com os Dead Can Dance é merecida, a versão supracitada com que encerraram o concerto foi divinal, mas estes búlgaros mostraram saber distanciar-se o suficiente para encontrarem um lugar próprio, algures entre o folclore balcã e o resto do mundo.



Sol Invictus, Palco Alma



Um dos nomes que mais me entusiasmaram quando o cartaz foi anunciado preparava-se para subir ao palco e, lentamente vinha-me à memória que na edição anterior os nomes mais conhecidos do Palco Alma não conseguiram suplantar a qualidade, em concerto, dos antecessores. Foi assim, com este misto de ansiedade e receio que vi o grande Tony Wakeford subir de bengala ao palco, sentar-se e armar-se de viola em punho.
Os Sol Invictus são enormes, na qualidade musical e na extensa lista de álbuns editados ao longo dos 24 anos de carreira, que Tony frisou algures durante o concerto, tem muito poucas "manchas", mas ainda assim em palco algo não correu tão bem. Os constantes pedidos de ajustes para a mesa de som, feitos via microfone, contribuíram para que o concerto se tornasse algo monótono, as referidas perdas de tempo entre músicas levou, também a que determinados pormenores ganhassem importância que normalmente não teriam, como seja o facto de quase todo o alinhamento terminar em crescente.
Ainda assim Tony e companhia ofereceram um alinhamento bem escolhido em que "English Garden", "Believe Me", "Angels Fall" e "We Are The Dead Men" saciaram em parte a expectativa e compensaram de alguma forma a falta de ritmo exibida em palco.




Nitzer Ebb, Palco Corpo



Como já referi, o EBM não está, de todo, entre as minhas preferências, mas ainda assim estes britânicos sempre me picaram um pouco a curiosidade. Chamaram-me a atenção pelas digressões com os Depeche Mode e os trabalhos de estúdio ainda fazem, esporadicamente, parte das minhas audições. Foi assim, entre o expectante e o renitente e ao sabor dum rissol de leitão, que me deixei ficar até à hora do concerto no palco corpo, dar-lhes-ia a hipótese que julgava merecida.
Os Nitzer Ebb apresentaram-se em palco, aos meus olhos, de forma algo leviana e convicta de quem tinha o público nas mãos, pelo menos foi essa a sensação com que fiquei. A performance em palco conferiu às letras, um triunfo fátuo que resvalou em pobreza de ideias – não gostei desta actuação. Fiquei cerca de meia hora, durante a qual não descortinei uma entrega do público, após a qual me retirei do recinto ainda preenchido pelos Sol Invictus, mas principalmente pelos Irfan.


Um agradecimento especial à Isabel pela ajuda prestada e pelas fotografias.

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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Agenda [actualizado]

EVENTOS

Indie Pendente
Sexta 5 de Agosto, Metropolis, Lisboa




The Kat's Choice
Sexta 5 de Agosto, Club Noir, Lisboa




Lógicanalógica
Sexta 5 de Agosto, Associação Cultural Mercado Negro, Aveiro


Synth.Etics
Sábado 6 de Agosto, Metropolis, Lisboa




Put On Your Red Shoes
Sábado 6 de Agosto, Basement, Porto


Underground 80 vs 90
Sábado 6 de Agosto, Club Noir, Lisboa

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