sexta-feira, 15 de abril de 2011

Swans, 09/04/2011, Aula Magna, Lisboa

Criados na génese da "No Wave" nova-iorquina, os Swans fizeram parte de um movimento que respondia ao punk rock. Hoje, não se sabe se respondem a alguma coisa, integrados numa "onda" qualquer, se apenas respondem a si mesmos. Talvez a razão do regresso desta banda aos discos e concertos não interesse – quiseram que não fosse apenas um reeditar do já feito na década de oitenta, mas sim um reinventar. E assim foi. Transformaram-se sem se perderem, mantendo a brutalidade sonora com que ficaram conhecidos e as letras pouco convencionais de Michael Gira.

Fotografia : Isabel

Sendo pouco dado a experiências "religiosas", reconheço que o que fui lendo a propósito deste regresso me fez recear, muito, pelo seguinte:
As referências a experiências extra-sensoriais com musicas a atingirem durações de meia hora, fez-me lembrar pink floyd e esse tipo de experiências sonoras para atingir um estado interior qualquer, em mim funcionam, como o melhor dos soníferos.
Mas pouco depois das 22h de 09 de Abril na Aula Magna, todas as dúvidas foram ceifadas.

"No Words/No Toughts" iniciou este concerto, mas antes que a musica se tornasse reconhecível, precederam-se cerca de 20 minutos duma massa sonora, poderosamente estendida em crescente, que serviu para nos introduzir pautadamente os elementos da banda, seus instrumentos e o que se seguiria. Ao longo da noite, os sons antigos foram desmembrados, revolvidos e reinventados de forma a se juntarem aos novos em sintonia. Gira, o Tirano-Maestro-General comandou as suas tropas num autêntico genocídio sonoro, por vezes extasiando-se, por vezes esquecendo-se (tanto do cabo da guitarra, como do público), desafiando Cristo no céu e as colunas de som na terra. Toda esta intensidade foi sentida na plateia, algum "drone" pontual fez lembrar os Sunn O))) mas sem o incomodo que estes provocam.

Fotografia : Isabel

Sábado provou-se que Gira nunca deixou de ser o cisne e que os restantes lhe reconhecem mestria suficiente para se deixarem comandar nesta demanda pela transformação. Regressaram assim, muito bem, aos palcos, como já antes o haviam feito ao estúdio com "My father will guide me a rope to the sky".

Fotografia : Isabel

Por fim, uma pequena palavra para os Powerdove, a dupla encarregue pela primeira parte, que à primeira vista poderia parecer deslocada neste contexto mas que se revelou apropriada. A voz límpida e calma de Annie Lewandowski e as notas soltas e estendidas da guitarra, situaram a prestação ao vivo num "low core" que impôs uma calma necessária antes do anunciado tumulto

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